O CAPITALISMO BANDITIZADO
João Vergílio
Num mundo em que o capital financeiro patrocina a existência de paraísos fiscais, e no qual a política depende de aportes milionários para produzir os espetáculos eleitorais, não seria razoável esperar que a mídia, e só ela, ficasse de fora.
O capitalismo entrou em sua etapa mais avançada - o capitalismo banditizado. A contraparte necessária é uma dose cavalar de ideologia, pois a tensão entre realidade criminosa e ideal legalista ficaria insuportável à luz do dia. O jogo não teria como se sustentar sem o formato mentiroso que a mídia imprime aos fatos.
Toda a empulhação se arma a partir de uma separação radical entre opiniões "sérias" e "ponderadas" (consultadas quando se quer saber "qual é a verdade, afinal"), e opiniões "folclóricas" e "radicais" (ouvidas quando o veículo precisa legitimar-se do ponto de vista da diversidade). A economia exige a presença de uma multidão de "operadores" do sistema. Ninguém é um bom operador se não estiver imerso na lógica do sistema. (Você imagina um diretor financeiro que tenha visão crítica dos paraísos fiscais? Ele deve ser especialista em explorar suas possibilidades.) E são esses operadores que a mídia vai procurar quando precisa das tais opiniões "isentas" e "confiáveis".
Está tudo dominado. Restaram o gueto dos blogs e o dos livros. O processo é democrático, mas o resultado líquido é totalitário. É por isso que os centuriões da nova ordem falam tanto em democracia. Porque ela não vale mais nada.
João Vergílio
Num mundo em que o capital financeiro patrocina a existência de paraísos fiscais, e no qual a política depende de aportes milionários para produzir os espetáculos eleitorais, não seria razoável esperar que a mídia, e só ela, ficasse de fora.
O capitalismo entrou em sua etapa mais avançada - o capitalismo banditizado. A contraparte necessária é uma dose cavalar de ideologia, pois a tensão entre realidade criminosa e ideal legalista ficaria insuportável à luz do dia. O jogo não teria como se sustentar sem o formato mentiroso que a mídia imprime aos fatos.
Toda a empulhação se arma a partir de uma separação radical entre opiniões "sérias" e "ponderadas" (consultadas quando se quer saber "qual é a verdade, afinal"), e opiniões "folclóricas" e "radicais" (ouvidas quando o veículo precisa legitimar-se do ponto de vista da diversidade). A economia exige a presença de uma multidão de "operadores" do sistema. Ninguém é um bom operador se não estiver imerso na lógica do sistema. (Você imagina um diretor financeiro que tenha visão crítica dos paraísos fiscais? Ele deve ser especialista em explorar suas possibilidades.) E são esses operadores que a mídia vai procurar quando precisa das tais opiniões "isentas" e "confiáveis".
Está tudo dominado. Restaram o gueto dos blogs e o dos livros. O processo é democrático, mas o resultado líquido é totalitário. É por isso que os centuriões da nova ordem falam tanto em democracia. Porque ela não vale mais nada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário