domingo, 8 de março de 2009

Nassif analisa Otavinho Frias, o brando

Otavinho se vangloria de pensar politicamente como um empresário da comunicação: entendendo os ventos políticos e oferecendo o que seu público quer. Faz sentido. Foi em torno desse princípio - e com um feeling extraordinário - que Otávio Frias, pai, transformou a Folha no maior jornal do país, montando um público fiel que tinha como ponto de convergência o combate à ditadura.

Agora, em um momento em que o jornalismo impresso tem enormes dificuldades em conquistar o público mais jovem, o pragmático Otávio, filho, resolveu dar um pontapé no seu público, nos seus fiéis leitores, atrelou a Folha à Veja e em 2006 aderiu ao neoliberalismo com enorme atraso - descobriu José Guilherme Merquior quando o neoliberalismo agonizava.

Ao atrelar a Folha à Veja, Otavinho cometeu o primeiro grave erro: quem se pretende líder do mercado de opinião, não pode estar a reboque de ninguém, nem do New York Times, muito menos do subjornalismo da Veja.

O público de Veja é majoritariamente conservador; o da Folha majoritariamente de centro-esquerda. Ao descobrir o pensamento neocon, com uma falta de sofisticação assustadora - porque em uma pessoa inteligente, porém desinformada e superficial - Otávio deu um tiro no próprio pé: matou a imagem que segurou o leitor tradicional da Folha por décadas.

O que pretende colocar no lugar? Ele não tem a menor idéia. O mercado neocon está congestionado, desde o jornalismo de baixaria de Veja e Globo até o conservadorismo consequente do Estadão. E a campanha das diretas é um retrato esmaecido na parede.

Abaixo, não os inimigos, mas os órfãos da Folha, na manifestação de sábado:

Ato contra ditaBRANDA da Folha
Share/Bookmark

Nenhum comentário:

Web Statistics