Vi o Mundo
Dizem que a história se repete como farsa. Diogo Mainardi, o colunista de Veja, é chegado em fazer listas. Fez a famosa lista de petistas na mídia e, nas últimas horas, produziu uma lista de petistas a serem devidamente "silenciados".
Não há nenhum crime em ser petista, em algumas circunstâncias pode ser até elogio. Mas, no território mental frequentado por Mainardi, Kamel, Azevedo e crescentemente por alguns jornalistas da Folha de S. Paulo, nesse território em que o "petralha" substituiu o "comunista" dos anos 60 e em que "esquerdista" retoma os preconceitos do passado, fazer listas é um exercício que parece provocar êxtase.
"Eles", os impuros, os que poluem, devem ser devidamente rotulados e banidos. É nesse contexto que o presidente da República, que não teve nada a ver com o acidente, se tornou "homicida" na capa do maior jornal do Brasil. É nessa atmosfera que as pessoas são arrastadas para os blogs do esgoto, espancadas, esquartejadas e salgadas.
O surpreendente que é nesse mesmo território floresce o projeto político de alguém que um dia já se apresentou ao eleitorado como de "centro-esquerda". Os métodos lembram o macartismo, com dossiês e assassinatos de caráter contra quem quer que se coloque no caminho.
Nem originais eles são. Cláudio Marques já fez isso. Era um jornalista paulistano que, nos anos 70, usava sua coluna no jornal Shopping News para caçar "comunistas". Herzog frequentou as listas do dedo-duro. No dia seguinte à morte de Herzog, circulou a edição do jornal com a seguinte notinha de Marques:
"Há certas horas em que a gente, com o mais puro sentimento de coleguismo, fica preocupada com novos hóspedes do Tutóia Hilton".
Tutóia é a rua de São Paulo onde Herzog foi torturado e "suicidado", na sede do DOI-CODI. "Tutóia Hilton" é uma referência ao "Hanoi Hilton", a cadeia onde os vietnamitas mantinham os prisioneiros de guerra americanos.
Como Cláudio Marques escrevia a coluna às sextas-feiras e sabia com antecedência das ações do aparato policial da ditadura, ele acabou fazendo, sem saber, ironia com alguém que estava morto. Pode-se dizer que foi punido pela sua própria canalhice.
As listas de Mainardi, obviamente, jamais terão as mesmas consequências. Podem ser usadas, inclusive, para dar um upgrade no currículo. Mas o espírito é o mesmo. São "denunciações" públicas com claro objetivo intimidatório. A história, de fato, se repete como farsa.














