Noam Chomsky, no New York Times via Terra Magazine
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Adam Smith concluiu que os "principais arquitetos" da política na Inglaterra foram os "comerciantes e manufatureiros", que procuram garantir que seus interesses "sejam satisfeitos da melhor forma possível", por mais "dolorosos" que sejam seus efeitos sobre os outros, inclusive as pessoas na Inglaterra.
A máxima de Smith ainda se mantém, embora, hoje, os "principais arquitetos" sejam corporações multinacionais e, particularmente, as instituições financeiras cuja participação na economia vem crescendo desde os anos 1970.
Nos Estados Unidos, acabamos de ver uma dramática ilustração do poder das instituições financeiras. Na última eleição presidencial, elas garantiram a base do financiamento do presidente Obama.
Naturalmente, esperavam ser recompensadas. E foram - com o programa de socorro aos bancos e muito mais. Considere o Goldman Sachs, líder da economia e do sistema financeiro. A instituição fez uma mina de ouro ao vender títulos lastreados em hipotecas e instrumentos financeiros mais complexos.
Consciente da fragilidade dos pacotes que comercializava, a companhia apostou, com a gigante dos seguros American International Group (AIG), que as ofertas cairiam. Quando o sistema financeiro entrou em crise, a AIG afundou com ele.
Os arquitetos da política do Goldman não apenas se beneficiaram de um socorro financeiro para o próprio Goldman, como também conseguiram que os contribuintes salvassem a AIG da falência, restagando, assim, o Goldman.
Agora, o Goldman está registrando lucros recordes e pagando robustos bônus e, assim como alguns outros bancos principais, está maior e mais poderoso do que nunca. O público está furioso. As pessoas podem ver que os bancos que foram os agentes primários da crise agem como bandidos, enquanto a população que os resgatou está enfrentando um desemprego de quase 10%.
A indignação popular finalmente provocou uma virada retórica da administração, que respondeu com acusações sobre banqueiros gananciosos e sugestões de políticas das quais o setor financeiro não gosta (a Volcker Rule, proposta de regulação dos bancos, e outras propostas).
Presumindo que Obama é o seu representante em Washington, os principais arquitetos perderam pouco tempo com orientações: a menos que Obama recue, eles vão transferir seus recursos para a oposição política.
Há alguns dias, Obama disse à imprensa que os banqueiros são "caras" legais, destacando os presidentes de duas grandes instituições, o JP Morgan Chase e o Goldman Sachs: "eu, como a maioria dos americanos, não invejo pessoas de sucesso ou riqueza. Isso é parte do sistema de livre mercado" - como "livre mercado", entenda-se a doutrina do estado capitalista.
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