Perder uma eleição
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Correio Braziliense
Nas eleições, chega uma hora em que todos os candidatos, menos um, tomam consciência que vão perder (ou que já perderam). Há casos em que a disputa permanece acirrada até a véspera e ninguém é obrigado a fazer essa difícil admissão. São mais numerosas, no entanto, as que logo se afunilam e se resolvem cedo.
Os políticos sempre entram nas eleições esperando ganhar, mesmo quando sabem que suas chances são mínimas. Existem os que participam apenas para defender posição ou divulgar as plataformas de seus partidos, mas são raros. Também há os exibicionistas, cuja única intenção é usufruir o prazer de se ver na televisão. Esses não contam.
Depois que as campanhas começam, a expectativa de vitória costuma tornar-se certeza. Por menores que sejam, os candidatos vão se convencendo que suas possibilidades são grandes. Talvez porque convivam principalmente com seguidores e áulicos, talvez porque confundam a boa educação dos cidadãos para com eles, fantasiando que uma simples cordialidade traduza apoio. Mas é certo que, a alturas tantas, todos achem que vão ganhar.
Ao contrário do que se poderia imaginar, as pesquisas eleitorais não mudam sua opinião. Não é por estar lá atrás e haver outros mais bem situados que eles pensam com mais cautela. Todos têm vários exemplos para citar, de políticos que começaram mal nas pesquisas e terminaram ganhando.
A constatação de que uma derrota é iminente é especialmente complicada para os candidatos maiores, dos grandes partidos. Ainda mais se estiveram na liderança das pesquisas.
Agora, por exemplo. O que deve fazer um candidato como José Serra? Como deve se comportar nos 20 dias finais desta eleição?
A imensa frente que todas as pesquisas dão a Dilma poderia ser desconsiderada. Afinal, pesquisa é pesquisa e não é eleição. Mas, será que ele não percebe de outras formas que sua chance de vencer é remota? Será que não vê isso no olhar até de seus seguidores mais fiéis?
Ninguém gosta de chegar à conclusão que um projeto acalentado há muito tempo não vai dar certo, antes que a inevitabilidade se imponha. Não faz parte do senso comum a expressão "a esperança é a última que morre"? Que, enquanto há vida, não se deve renunciar a ela?
O problema é que, quase sempre, esses momentos levam as pessoas a gestos extremos, nos quais não se reconheceriam em condições normais. O ateu vira crente, o racional vira místico, o sério pode ficar ridículo. O arrependimento por essas guinadas costuma ser grande.
Na política, encruzilhadas desse tipo são ainda mais perigosas. A caminho da derrota, o candidato se isola cada vez mais, começa a ouvir apenas os assessores que o aconselham a fazer de tudo, a tentar qualquer coisa. A usar de qualquer recurso e não admitir o insucesso.
Nessa hora, os candidatos deveriam parar de pensar no que ainda resta a fazer, no esforço inútil de reverter uma situação sem perspectiva, e olhar para frente. Perder e ganhar são parte da vida de quem opta por uma carreira política. Ganhar é sempre melhor, mas perder mal é muito pior que saber perder.
Tanto Serra, quanto as oposições, precisam pensar no que vão fazer nos últimos 20 dias destas eleições. Podem continuar no rumo em que estão, tentando tudo (e mais alguma coisa) para mudar o desfecho que todos antecipam. Podem continuar a fazer como fizeram desde o ano passado, quando embarcaram na canoa que os trouxe até aqui.
Um comentário:
Vamos analisar o comportamento desta turma DEM-PSDBista e porque não, do próprio candidato Zé Chirico, diante dos resultados avassaladores das pesquisas eleitorais.
Segundo a Dra. Elisabeth Kubler-Ross, existem 5 estágios comuns para a "perda", no caso, o estudo se referia à doenças terminais, mas podemos adaptá-lo ao que vemos acontecer com os radicais direitistas e suas manifestações : trollers, spammers, difamadores em geral. 1º Estágio: negação e isolamento. Para o doente : os exames estão errados, o médico é um incompetente, o laboratório errou. Para o eleitor : as pesquisas são falsas, os institutos foram comprados, é tudo mentira. 2º Estágio: raiva. Agressão gratuita a todos, no caso do eleitor, aos petistas, aos traíras do próprio partido, ao país. No caso do Chirico e do Índio: factóides contra a candidata preferencial. 3º Estágio: barganha. O doente negocia direto com Deus, para os eleitores derrotados nem preciso comentar né.. Deus, ao menos ajude a eleger senadores, governadores, etc. 4º Estágio: depressão. O que vai ocorrer quando cair a ficha definitivamente (coitados). 5º Estágio: aceitação. Só daqui a 8 anos, se Deus ajudar. Ou melhor, parodiando a fábula da "raposa e as uvas" , ahh, esta eleição não era mesmo importante, ahh, nem estava com muita vontade de votar nele mesmo. O Zé : o importante é que meu pedágio tá garantido...
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