sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Brasileiros dão show na São Silvestre

O brasileiro Marílson Gomes dos Santos venceu a 86ª edição da corrida São Silvestre, sua terceira vitória na disputa e se torna o maior vencedor do país na tradicional corrida de rua.

"Hoje eu fiz mais foi uma prova de superação mesmo, pois eu não estava completamente solto", avalia Marílson.

"Me sinto a campeã da São Silvestre", comemora vice Simone

A prova feminina da Corrida de São Silvestre teve como vencedora a queniana Alice Timbilili, que dominou a competição desde o começo. Para a brasileira Simone Alves da Silva, porém, a segunda colocação teve gosto de lugar mais alto do pódio, uma vez que ela superou as expectativas do público.

"Não estava escalada entre as favoritas. Hoje me sinto a campeã da São Silvestre. O meu resultado foi uma surpresa para todos. Estou muito feliz", comemorou a brasileira, que conseguiu uma marca de 50min25s nesta sexta-feira.

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Balanço do governo Lula


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Alegria dupla toma o Rio Grande

Escapa que estão pegando, licantropo das profundas...
Diário Gauche
Só de pensar que esse despacho será removido do Piratini - mesmo que por decurso de prazo - já borrifa um refresco em nosso espírito rebaixado e triste.

Bom, pelo menos pudemos rir bastante com as gafes, burradas e patacoadas de Sua Excelência, a tucana mais bicuda e escrota do País, um verdadeiro ebó, um canjerê encruado que paralisou o Rio Grande por quatro longos anos.

Axé, para todas/os guascas do nosso querido Rio Grande! Estamos precisando e merecendo.

Redator: Cristóvão Feil
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iG abre espaço aos mentalmente prejudicados


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Eliane Cantanhede termina o ano como começou

Colunista da Folha infla números e levanta suspeitas descabidas. É no que dá a falta de rigor…
Na sua coluna de hoje na Folha de S.Paulo, a jornalista Eliane Cantanhede diz que 2.512 sites e blogs teriam sido “agraciados” com investimentos publicitários do governo federal no ano de 2010. A jornalista errou. Na verdade, esse número refere-se à rubrica “outros” – ou seja, outros veículos além das TVs, rádios, jornais e revistas –, que compreende uma variada gama de mídias, como outdoors, busdoors, painéis eletrônicos, cinemas, painéis em metrôs, terminais rodoviários e ferroviários, aeroportos, carros de som, além de portais, sites e blogs.

No caso da Secom, os investimentos em publicidade na internet em 2010 foram de R$ 3.948.284,98 e alcançaram apenas 71 veículos – menos de 3% do total equivocadamente citado pela colunista, portanto. Registre-se ainda que 88% desses recursos foram aplicados em dez dos maiores portais do país, a saber: MSN, Uol, Globo.com, Terra, iG, Yahoo, Abril, Estadão, Valor Online e Folha.com.br. Nenhum deles pode ser incluído na categoria dos chamados “blogs sujos”. Estão mais próximos daquilo que alguns batizaram de “massa cheirosa”.

Segue abaixo o quadro de investimentos da Secom até 20 de dezembro de 2010. Para evitar novos erros e avaliações apressadas, tomamos o cuidado de separar o segmento “internet” da rubrica “outros”:

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Dura lex, sed lex

Nem o vento, nem a chuva...

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Salve, lindo pendão da esperança

Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
A sra. Esquerdopata aguarda sob a chuva


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Esperando Dilma


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Em Brasília

Nada mal a vista do hotel. Isso aí é um shopping.

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

São Paulo tem a tarifa de ônibus mais cara do Brasil

Do R7

Levantamento do R7 junto às prefeituras das 26 capitais brasileiras, mais o Distrito Federal, aponta que a nova tarifa de ônibus municipal a ser praticada em São Paulo, em 2011, será a maior registrada entre as grandes cidades do país. A tarifa de ônibus na capital paulista vai subir de R$ 2,70 para R$ 3 a partir de 5 de janeiro, informou o prefeito Gilberto Kassab, na terça-feira (28).

Com essa mesma tarifa, o passageiro pode pegar mais de um ônibus se tiver em mãos o Bilhete Único. Caso contrário, terá de pagar em dinheiro os R$ 3 a cada viagem.

Poucos Estados chegam a um preço semelhante, mas isso geralmente em tarifas intermunicipais. É o caso do Distrito Federal, cujas linhas que levam às cidades satélites custam R$ 3, enquanto a tarifa urbana fica em R$ 2. O último reajuste no DF aconteceu em janeiro de 2006.

Em Florianópolis, quem não fizer uso do cartão magnético integrado, que cobra R$ 2,38 por viagem, terá de desembolsar R$ 2,80 em dinheiro a cada trecho. O último reajuste da tarifa ocorreu em maio deste ano, quando passou de R$ 2,20 para o preço atual.

Entre as tarifas mais altas, estão as praticadas em Campo Grande e Cuiabá (R$ 2,50). Entretanto, nessas duas capitais, o passageiro pode pegar mais de um ônibus pagando esse valor.

A partir de janeiro de 2011, Salvador também vai cobrar R 2,50 pela passagem que, atualmente, custa R$ 2,30, informou a prefeitura da cidade ao R7. Nas cidades de Porto Alegre e Belo Horizonte, os ônibus cobram R$ 2,45 - a capital mineira reajustou a tarifa nesta semana.

A cidade do Rio de Janeiro cobra R$ 2,40 pela tarifa única, mas, desde outubro deste ano, adota o Bilhete Único, que dá direito a viagens integradas. A prefeitura do Rio afirmou não haver previsão de reajuste da tarifa única. Mas o Detro (Departamento de Transportes) do Estado do Rio de Janeiro já autorizou o aumento da passagem dos ônibus intermunicipais a partir de 2 de janeiro em 5,63%, elevando a tarifa de R$ 2,35 para R$ 2,50.

Tarifas mais baratas

Os Estados do Nordeste lideram entre os preços mais baixos. Em São Luís, a tarifa única custa R$ 1,30, a mais barata do país. Para a viagem integrada, o passageiro paga R$ 2,10. Em Fortaleza, a tarifa única custa R$ 1,80.

Já as capitais do Norte apresentam grandes variações de preço. Em Porto Velho, a tarifa custa R$ 2,30, em Manaus, R$ 2,25, enquanto em Macapá chega a R$ 1,90 e, em Belém, a R$ 1,85.

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Três mil homens farão a segurança de uma mulher

Uma festa à prova de imprevistos em Brasília. É essa a missão de três mil homens que vão trabalhar na segurança, durante a posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, no próximo sábado.

Mais de cinquenta autoridades estrangeiras já confirmaram presença na cerimônia, que será histórica. Pela primeira vez, uma mulher vai assumir a presidência do Brasil.

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Em Brasília 19 horas

Acaba de chegar a Brasília a equipe completa do blog O Esquerdopata para cobrir a posse da nossa primeira presidenta!

Como a "equipe" é composta só por mim e conta com um laptop e uma máquina fotográfica não esperem muito, aliás, não esperem nada...
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Liamba, um santo remédio


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Lula foi o maior presidente da história do Brasil, diz Roberto Setubal


Em setembro de 2002, durante a tradicional reunião anual do FMI, o banqueiro Roberto Setubal, presidente do Itaú, surpreendeu a toda a plateia, formada pelos maiores financistas do mundo, quando disse que Lula não só iria ganhar a eleição, como não seria nenhum problema para o Brasil.

Essas foram as palavras de Setubal: “Não tenho dúvida que o Lula será o próximo presidente do Brasil. Esta não é uma eleição populista. Ele está sendo eleito porque está fazendo uma boa campanha. Ele é honesto e fala ao coração do povo.”

Hoje, oito anos depois, ao encerrar o segundo mandato, Setubal diz ao iG que Lula superou as próprias expectativas, que já eram bastante otimistas em relação ao seu governo.

O banqueiro lembra que, quando declarou que não havia razão para se temer o governo Lula, fez-se um absoluto silêncio na plateia, como se ninguém acreditasse que um banqueiro poderia fazer tal tipo de afirmação.

Havia uma enorme desconfiança no mercado em relação ao Lula, o medo era generalizado e não se poderia imaginar jamais que um banqueiro, que sempre teve seu nome ideologicamente associado aos tucanos, pudesse declarar apoio (não foi o voto) a Lula.

Setubal diz que ele tinha preparado uma apresentação cheia de gráficos e números para aquela tarde, em Washington, mas decidiu falar de improviso.

“O mercado estava exagerando nas incertezas. O que eu disse é que o Lula era um cara centrado, pragmático e não ideológico, como as pessoas diziam. Depois, o Lula já tinha escrito a Carta aos Brasileiros e tudo o que ele queria era o bem do país.”

Setubal diz que Lula foi muito além do que ele imaginava.

“Lula foi o maior presidente da história do País”, diz Setubal.

Segundo o banqueiro, a grande diferença entre Lula e Getúlio Vargas, tido até então como o maior presidente da história, é a de que Lula foi eleito democraticamente, o que, para Setubal, faz uma enorme diferença.

Setubal faz questão de dizer que o Brasil também teve outros grandes presidentes, como Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso, que sempre terão, certamente, um lugar diferenciado na história.

Entre as grandes qualidades de Lula, Setubal ressalta a sua capacidade de entender todos os ângulos dos problemas brasileiros e de encaminhar as soluções mais realistas para eles.

“A sensibilidade de Lula para entender os problemas do Brasil é impressionante. Ele entende o Brasil como ninguém.”

A grande conquista de Lula, na opinião de Setubal, foi a melhor distribuição de renda do país.

“Depois de muitos anos de piora da situação da distribuição de renda no país, veio o Plano Real e começou a melhorar a situação, mas foi no governo Lula que houve mesmo um avanço.”

Setubal diz que “Lula, que veio de onde veio, dos níveis sociais mais simples da sociedade, assumiu a presidência sem manifestar nenhum rancor em nenhum momento e, com seu pragmatismo, contribuiu para a sociedade e para o sucesso do País.”

Setubal se diz otimista com o governo Dilma Rousseff.

“As perspectivas são muito positivas, há claramente na política econômica um sinal de continuidade, e isso é muito bom”, afirma. “O Brasil terá anos muitos bons pela frente.”

Para Setubal, a palavra chave do próximo governo será infraestrutura. A seu ver, essa será a prioridade do novo governo. O país tem problemas nessa área e precisa de investir maciçamente em infraestrutura.

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Popularidade de Lula bate recorde e chega a 87%

Lula atinge 87% de aprovação; 69% esperam bom governo de Dilma
Dados são da 110ª pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta quarta-feira. Levantamento fez consulta sobre novo Ministério

Adriano Ceolin, iG Brasília

presidente Luiz Inácio Lula da Silva cravou recorde de 87% de avaliação positiva, mas o governo da presidenta eleita Dilma Rousseff ainda gera expectativa menor: 41,5% da população acredita que ela fará um bom governo e 27,7% acha que a administração será ótima. Desse modo, 69% acreditam que ela será bem sucedida nos próximos quatro anos.

Esses são os dados da última pesquisa CNT/Sensus deste ano, divulgada na tarde desta quarta-feira em Brasília. Foram entrevistadas duas mil pessoas, em 136 municípios de 24 Estados, entre os dias 23 e 27 de dezembro de 2010. A margem é de 2,2% para mais ou para menos.

Trata-se da 110ª rodada do levantamento encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes ao Instituto Sensus. De acordo com os dados, a avaliação do atual presidente subiu sete pontos percentuais. Em setembro de 2010, Lula era aprovado por 80% da população.

A avaliação do governo também subiu: 83,4% dos entrevistados aprovam o governo. Em setembro, eram 79,4%. Apenas 15,9% acham que o governo é ruim ou regular. Em relação à melhoria das condições de emprego e renda mensal, houve pouca alteração Nos últimos seis meses, aumentaram, respectivamente, para 63,7% e 39,6%.

Do ponto de vista social, 57,8% acham que o Brasil se desenvolveu muito nos últimos oito anos, enquanto 35,6% acham que desenvolveu um pouco. A área social foi uma das principais vitrines do governo Lula, em virtude dos elevados investimentos no programa Bolsa Família, que beneficiou mais de 12 milhões de famílias.

A pesquisa CNT/Sensus também aponta que para 43,7% do eleitorado o Brasil vai se desenvolver muito nos próximos quatro anos e 39,8% acham que o País vai desenvolver apenas um pouco nesse período. Para 7,5%, o País ficará estagnado e 9,2% não souberam responder.

Na área social, os resultados são semelhantes: 43% acham que o País vai se desenvolver muito na área social, 39,8% acreditam que o Brasil se desenvolverá um pouco, 8% avaliam que o País não vai melhorar neste setor, e 9,3% não souberam responder.

De acordo com o levantamento Sensus, a maioria da população, 65%, concorda com a afirmação de que Dilma dará continuidade ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Apenas 8,5% acham que a presidente eleita dará continuidade "em parte" aos programas de Lula, enquanto 23% discordam desta premissa. Do total, 3,6% não souberam responder.

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O digno Brasil da era Lula

No balanço do governo Lula, o artigo de Luiz Carlos Antero destaca o papel do Presidente operário no enfrentamento de um ambiente e um legad0, às vezes esquecido, do antecessor FHC
por Luiz Carlos Antero* para a revista Nordeste XXI

Após realizar sua última viagem internacional como Presidente para receber mais um título de “doutor honoris causa”, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que vendeu a CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) e que negou tudo o que escreveu, talvez para que sua obra não constasse na vala comum da mundana imersão presidencial, foi pródigo no patrocínio de um retrocesso democrático que varreu da Constituição de 1988 uma boa parte das conquistas nacionais e sociais posteriores ao fim do regime militar.

Compulsivo na edição de medidas provisórias (MPs), das quais abusou como nenhum antecessor, desmoralizando o Congresso Nacional com seu balcão de negócios, onde barrou 27 CPIs, FHC submeteu também o Judiciário. Para isso, nomeou seu “líder” no STF (Supremo Tribunal Federal) e TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Nelson Jobim, um sombrio personagem remanescente a determinadas armações da “governabilidade” — ainda hoje vigente como uma ostra, em sua versão castrense, no poder de Estado.
Entreguista extremado, FHC promoveu previamente às privatizações, intensa campanha contra as empresas públicas e abriu lugar cativo em seu gabinete palaciano para o FMI (Fundo Monetário Internacional) — que Lula, determinado, dispensaria depois.

Fervoroso ao legislar contra os trabalhadores, a esses FHC dedicou milhares de ataques letais aos seus direitos conquistados ou a pura e direta repressão — fatos gravados na memória de petroleiros, servidores públicos, caminhoneiros, entre inúmeras categorias.

Enquanto Lula, no seu tempo, definiu o prumo de uma política exterior soberana, independente e multipolar, FHC entrou para a História como o Presidente que mais viajou pelo mundo com a precípua missão de vender o País nos centros hegemônicos da economia internacional. A situação legada para o seu sucessor aproximou a imagem do Brasil das repúblicas da corrupção e de suas elites afogadas pela degradação moral.

Noutra situação, FHC, com seus títulos e pompa de estadista, poderia associar seu destino ao de parceiros como Alberto Fujimori, do Peru, a quem agraciou com elevadas honrarias nacionais, ou de outros elementos com o perfil de Domingo Cavallo, da Argentina, que terminou, nas circunstâncias daquela conjuntura, encarcerado pelo crime formal de contrabando. Na verdade, a essência comum dos fatos apontou em todos os casos para os crimes contra a economia e contra os povos dos seus países.

Denúncias de corrupção campearam livres e impunes em seus governos. Desde o escândalo da licitação do projeto Sivam, passando pela compra de votos para a aprovação da Emenda da reeleição, até o episódio das privatizações — e do sistema de telecomunicações em particular —, FHC teve sempre um fiel escudeiro a comprometê-lo pelos laços de intimidade, entre os quais Daniel Dantas, embaixador Júlio César, Eduardo Jorge Caldas Pereira, Ricardo Sérgio de Oliveira, alguns deles ainda vigentes num certo noticiário.

A corrupção desenfreada em seus governos, mais que um atestado secular do baixo padrão moral das elites brasileiras, esteve umbilicalmente articulada à aliança dessas elites reunidas num pacto conservador para elegê-lo em 1994 e em 1998. Fundamentalmente as mesmas forças que ofereceram sustentação à ditadura militar e que, ao lado de José Serra e do sociólogo e professor da USP — ele próprio um rebento bem nascido dessas elites —, patrocinaram um novo retrocesso republicano quanto às conquistas democráticas no Brasil.

Políticos conservadores que resistiram ou relutaram ante o movimento pela democratização, aliados e beneficiários da ditadura, foram plenamente restaurados no comando da República pelo pacto neoliberal. Todos estiveram unidos ao PSDB e PFL/DEM nas campanhas de 2002, 2006 e 2010.

As reformas do Capítulo da Ordem Econômica, que buscou aprovar desde o primeiro dia de seu primeiro mandato, em 1995, foram incorporadas à Constituição mediante o jogo fisiológico com os partidos conservadores e a ostensiva ação dos seus lobistas — que trafegavam fagueiros pelo Parlamento. Promoveu-se então o processo de privatizações e desnacionalização da economia brasileira em troca de “moedas podres” e substanciais atrativos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para arranjos de “investidores”.

Na entrada de apenas R$ 8,8 milhões da privatização das teles, praticamente a metade foi financiada pelo BNDES. Dois anos e meio antes, foram investidos na infraestrutura do setor, nada menos que R$ 21 bilhões em recursos públicos. A CVRD, com 50 anos de investimentos produtivos e de infraestrutura (em portos, navios, estradas de ferro, locomotivas, e todo tipo de maquinarias e equipamentos) foi transferida por R$ 3,13 bilhões, com seus ativos e jazidas minerais imensuráveis e “incentivos” do mesmo BNDES.

No discurso predador de FHC e de sua equipe neoliberal, as privatizações iriam resolver problemas da Saúde e da Educação, o problema da dívida pública e assegurar a estabilidade da economia. Nada disso ocorreu. Os índices inflacionários voltaram a crescer e o País perdeu ritmo de crescimento econômico.

Tais medidas caminharam pari passu ao corte dos direitos trabalhistas, secundadas pelo ajuste fiscal — que determinou o congelamento dos salários dos servidores federais, o corte de investimentos públicos e na área social que acarretaram drásticas consequências, a exemplo da crise energética do mais apreciado sistema hidrelétrico do mundo.

Nessa linha do tempo e no espaço aéreo mundial, esta ação contra o Brasil buscou completar a insípida tarefa de torná-lo prisioneiro das teias do capital financeiro internacional, sob o discurso de assegurar uma inflação sob controle, o ajuste das contas públicas e a estabilidade econômica. Na verdade, conduziu ao desmonte da economia e do Estado brasileiro e à instabilidade de uma imensa evasão de divisas, ao sabor dos juros mais elevados do mundo e das imprevisíveis flutuações da moeda brasileira.
A especulação e o FMI no comando
A instabilidade apenas cresceu quando os proprietários do capital volátil, conhecidos no mercado como “investidores”, passaram a desconfiar da capacidade de endividamento do País e da própria continuidade da atual política — uma festa que enriqueceu muitos especuladores.

O crescimento acelerado da dívida pública foi secundado pelo atrofiamento da produção no País, visto que o dinheiro caro e a elevada carga tributária, voltada para o cumprimento das metas vinculadas ao superávit primário, passaram a inibir o empresariado. A isso se somaram cortes cada vez mais profundos no Orçamento Geral da União (OGU), impondo mais sacrifícios ao País e ao seu povo, sem que o crescimento da dívida fosse contido.

Até atingir os R$ 250 bilhões de reservas, o presidente Lula empreendeu uma espinhosa caminhada no terreno legado por FHC. Na verdade, um campo minado com dispositivos prontos para explodir: os vencimentos de títulos cambiais e sua difícil e onerosa rolagem; a redução da entrada de capitais externos; o limite cada vez mais estreito de decisão sobre o uso das reservas cambiais; os vencimentos da dívida externa; a conta de transações correntes; a balança comercial. A cilada preparada pelo governo neoliberal foi lastreada pelo “auxílio” do FMI, em junho de 2002, após a redução do piso das reservas dos US$ 15 bilhões para US$ 5 bilhões.
Não coube a Lula a geração do desconforto ocasionado pelos pesados impostos convertidos em receita às necessidades e expensas do Estado, a requerer hoje uma profunda reforma. Foi ao longo dos governos de FHC que a carga tributária subiu de 25% para 34% do PIB. Também a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), criada a pretexto do financiamento da Saúde, mas de fato um artifício para assegurar receita para bancar o superávit e o robusto caixa de compromissos financeiros acordados com o FMI. Em maio de 2002, aproximando-se as eleições, já haviam sido desviados 75% dos recursos captados com a CPMF.

Nesse ambiente, também os cortes nos investimentos foram crescendo para gerar superávit primário no setor público e, desse modo, satisfazer o FMI e o capital especulativo: em 1995 havia superávit da ordem de R$ 1,7 bilhão; em 1997 houve déficit de R$ 8,3 bilhões; em 1999, após um estelionato eleitoral seguido de intenso ataque especulativo, houve um corte drástico de recursos nas áreas sociais e nos investimentos em infra-estrutura. O superávit passou então à órbita dos R$ 31,1 bilhões; em 2000, R$ 38,2 bilhões; em 2001, R$ 46,6 bilhões.

De tal modo que Lula recebeu um País insolvente, agonizante, em processo de fatal colapso, numa gangorra que combinava orgia financeira, inflação e desemprego. Essa falsa política estagnara a produção e empurrara milhões de brasileiros para o rumo do desespero, da fome, do lixo e da criminalidade, mas fez com que o luxo, a opulência e o gáudio dos bancos privados, beneficiários da estabilidade monetária e dos juros acachapantes, fossem ao paroxismo (lucro de 355%, entre 1995 e 2001).

Atento a esse desempenho dos principais responsáveis pelo seu caixa dois nas campanhas de 1994 e 1998, o presidente FHC quis mostrar-se ainda mais grato e generoso. Especialmente com os que, mesmo ganhando na ciranda financeira, emitissem cheques sem fundo. Por isso, destinou R$ 37 bilhões para o PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro).
Após a experiência de oito anos de gestão, Lula deve estar ainda mais convencido de que a ruptura com os fundamentos do Plano Real é inevitável para que o Brasil alcance o pleno desenvolvimento e a posição de grande potência econômica no cenário internacional. Porque o atual modelo macroeconômico — em seu intrínseco paradoxo que o atual governo logrou domar a seu favor — ainda encampa e oculta entretanto as causas e as consequências do descontrole plantado e colhido por FHC, quando o pagamento da conta dos seus descaminhos chegou na forma de uma inflação escamoteada, na sucessão de aumentos de tarifas e impostos do telefone, da água, da energia elétrica, dos combustíveis (inclusive do gás de cozinha), das passagens de ônibus, dos medicamentos, da carne, do feijão, do arroz e até dos ícones do Real — o pãozinho e o frango.

Juros: contra Lula, Dilma e o Brasil

A mais elevada e exorbitante taxa de juros do planeta foi mantida em 10,75% na última reunião, no governo Lula, do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. Diante de tão elevada lucratividade, é este um especial aspecto que faz do Brasil um paraíso para os especuladores do mundo inteiro, ocasionando protestos generalizados na sociedade, das centrais sindicais dos trabalhadores às organizações patronais do empresariado. Trata-se de uma absurda lógica que em sua essência teme o “aquecimento” da economia e, portanto, o desenvolvimento. O conservador Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa básica de juros (Selic) — enquanto instrumento utilizado pelo BC para manter a inflação sob controle ou estimular a economia.

Selic é um sistema eletrônico de atualização diária das posições das instituições financeiras para assegurar maior controle sobre as reservas bancárias. Hoje, identifica também a taxa de juros que reflete a média de remuneração dos títulos federais negociados com os bancos; é considerada a taxa básica porque é usada em operações entre bancos e, por isso, tem influência sobre os juros de toda a economia. Rege-se, portanto, pelo mecanismo dos ganhos especulativos. É, nesse sentido, a alternativa eleita pelos especuladores em geral, que atuam fora e acima da esfera produtiva, ganhando com o aumento da atratividade das aplicações em títulos da dívida pública. A elevação dos juros, assim, serve formalmente para inibir o consumo e o investimento produtivo, retrair a economia e o “risco inflacionário”. De fato e na prática, alimenta o danoso ócio do capital financeiro, gera “bolhas” e proporciona o enriquecimento fácil, descolado da produção. Por outro lado, a queda dos juros oferece mais crédito e consumo à população. O “temor” é de que o aumento da demanda pressione os preços caso a oferta da produção industrial não corresponda a um consumo maior, gerando inflação (que o saudoso panfletário Gondim da Fonseca chamava de “arma dos ricos”).

Com a redução da taxa Selic, cresce o dinheiro disponível no mercado financeiro para investimentos mais rentáveis que os títulos pagos pelo governo. A elevação dos juros é, portanto, ruim para empresários e trabalhadores, principalmente em tempos de crise — quando é maior ainda a necessidade de investimentos na produção. Pois, em suma, o investimento em dívida muda o rumo do dinheiro que financiaria o setor produtivo. Nos mercados, reduções da taxa de juros costumam direcionar a migração de recursos da renda fixa para a Bolsa de Valores, no rumo dos investimentos em ações das empresas que lá operam em tese no pressuposto produtivo dos recursos injetados. Os grilhões dos juros persistiram ao longo do governo Lula e são gargalos que aguardam a audácia política da presidente Dilma Rousseff.

*Luiz Carlos Antero, jornalista, escritor e sociólogo, é membro da equipe de pautas especiais do Vermelho.

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O ministério de Dilma e as críticas prontas

Marcos Coimbra
É sempre surpreendente a má vontade de nossa “grande imprensa” para com o governo Dilma. No modo como os principais jornais têm discutido o ministério, vê-se, com clareza, seu tamanho.
Por mais que a esperemos, é sempre surpreendente a má vontade de nossa “grande imprensa” para com o governo Dilma. No modo como os principais jornais de São Paulo e do Rio têm discutido o ministério, vê-se, com clareza, seu tamanho.

A explicação para isso pode ser o ainda mal digerido desapontamento com o resultado da eleição, quando, mais uma vez, o eleitor mostrou que a cobertura da mídia tradicional tem pouco impacto nas suas decisões de voto. Ou, talvez, a frustração de constatar quão elevadas são as expectativas populares em relação ao próximo governo, contrariando os prognósticos das redações.

As críticas ao ministério que foi anunciado na última semana estavam prontas, qualquer que fosse sua composição política, regional ou administrativa. Se Dilma chamasse vários colaboradores do atual governo, revelaria sua “submissão” a Lula, se fossem poucos, sua “traição”. Se houvesse muita gente de São Paulo, a “paulistização”, se não, que “dava o troco” ao estado, por ter perdido a eleição por lá. Se convidasse integrantes das diversas tendências que existem dentro do PT, que se curvava às lutas internas, se não, que alimentava os conflitos entre elas. E por aí vai.

Para qualquer lado que andasse, Dilma “decepcionaria” quem não gosta dela, não achou bom que ela vencesse e não queria a continuidade do governo Lula. Ou seja, desagradaria aqueles que não compartilham os sentimentos da grande maioria do país, que torce por ela, está satisfeita com o resultado da eleição e quer a continuidade.

Na contabilidade matematicamente perfeita da “taxa de continuísmo” do ministério, um jornal carioca foi rigoroso: exatos 43,2% dos novos integrantes do primeiro escalão ocuparam cargos no governo Lula (o que será que quer dizer 0,2% de um ministro?). E daí? Isso é pouco? Muito? O que haveria de indesejável, em si, em uma taxa de 43,2%?

Note-se que, desses 16 ministros, apenas oito tinham esse status, sendo os restantes pessoas que ascenderam do segundo para o primeiro escalão. A rigor, marcariam um continuísmo menos extremado (se é isso que se cobra da presidente). Refazendo as contas: somente 21,6% dos ministros teriam a “cara de Lula”. O que, ao contrário, quer dizer que quase 80% não a têm tão nítida.

Para uma candidata cuja proposta básica era continuar as políticas e os programas do atual governo, que surpresa (ou desilusão) poderia existir nos tais 43,2%? Se, por exemplo, ela chamasse o dobro de ministros de Lula, seria errado?

Isso sem levar em consideração que Dilma não era, apenas, a representante abstrata da tese da continuidade, mas uma profissional que passou os últimos oito anos trabalhando com um grupo de pessoas. Imagina-se que tenha desenvolvido, para com muitas, laços de colaboração e amizade. Mantê-las em seus cargos ou promovê-las tem muito a ver com isso.

No plano regional, a acusação é quanto ao excesso de ministros de São Paulo, nove entre 37, o que justificaria dizer que teremos um “paulistério”, conforme essa mesma imprensa. Se, no entanto, fizéssemos aquela aritmética, veríamos que são 24,3% os ministros paulistas, para um estado que tem 22% da população, se for esse o critério para aferir excessos e faltas de ministros por estados e regiões.

Em sendo, teríamos, talvez, um peso desproporcionalmente positivo do Rio (com seis ministros nascidos no estado) e negativo de Minas (com apenas um). Há que lembrar, no entanto, que a coligação que elegeu a presidente fez o governador, os dois senadores e a maioria da bancada federal fluminense, o oposto do que aconteceu em Minas. O PMDB saiu alquebrado e o PT ainda mais dividido no estado, com uma única liderança com perspectiva sólida de futuro, o ex-prefeito Fernando Pimentel, que estará no ministério.

Para os mineiros, um consolo, não pequeno: a presidente Dilma nasceu em Belo Horizonte. Os ministros são poucos, mas a chefe é de Minas Gerais.

(Publicado originalmente no Correio Braziliense)

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ano do gato


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Paulistanos recebem presente no fim de ano

Kassab confirma aumento de tarifa de ônibus para R$ 3 em SP
Passagem será reajustada a partir da 0h do dia 5 de janeiro

SÃO PAULO (onde mais poderia ser?) - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, confirmou na manhã desta terça-feira, 28, o aumento do bilhete de ônibus na cidade. 

Segundo o prefeito, a tarifa de ônibus subirá para R$ 3 a partir da 0h do dia 5 de janeiro.

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Kennedy Alencar entrevista Franklin Martins - 1

Franklin Martins, Ministro de Comunicação Social, conversou sobre os temas de maior destaque durante o período que atuou no governo Lula. Um dos principais assuntos abordados na entrevista foi a ditadura militar. "Espero que um dia o presidente da República e o ministro da Defesa, em nome das Forças Armadas e do Estado brasileiro, peçam desculpas ao país pelo que ocorreu", afirmou. Ainda sobre a ditadura o ministro acrescentou acreditar que as informações ocultadas após a ditadura são negativas para as Forças Armadas. "Eu não acho que as Forças Armadas são o que foram os torturadores", explicou. Franklin Martins falou também de sua família, pai, mãe e dos oito irmãos.

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Kennedy Alencar entrevista Franklin Martins - 2


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Kennedy Alencar entrevista Franklin Martins - 3


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Nordestinos vivem clima de otimismo após era Lula

BBC Brasil
Paulo Cabral Enviado especial da BBC ao Nordeste
Francisco de Souza deixou São Paulo
 e voltou para o Ceará
Região onde nasceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Nordeste experimentou durante os oito anos de seu mandato uma melhoria nas condições de vida de seus habitantes e vê antigos migrantes voltando para casa, embora a pobreza ainda seja uma realidade para muitos.

Depois de morar em São Paulo por 17 anos, fugindo da pobreza extrema, o empresário Francisco de Souza voltou para sua cidade natal de Tianguá, no Ceará.

"Quando eu fui para São Paulo, eu nem tinha sapatos para calçar", ele lembra. "Agora estou de volta para casa como dono de três casas, com meu carro, com dinheiro para começar um pequeno negócio e com uma bela família".

Ele vê semelhança entre a sua trajetória e a do presidente. "Nós dois começamos sem nada e conseguimos muito nas nossas vidas", afirma.

Souza afirma que seu plano sempre foi voltar a Tianguá. Ele pretende abrir a primeira loja de suplementos alimentares para atletas em sua cidade.

Shopping em Garanhuns

Já a cidade de Garanhuns, em Pernambuco, de onde a família de Lula saiu nos anos 1950 devido à falta de oportunidades, está prestes a ganhar o seu primeiro shopping center.

"O novo shopping é a prova de que a nossa região está se desenvolvendo e que investidores acreditam que o crescimento econômico veio para ficar", afirma o secretário de Desenvolvimento de Garanhuns, Ornilo Lundgren Filho.

Na feira de Garanhuns, onde agricultores e moradores se reúnem todo sábado para fazer negócios e conversar, o clima é de otimismo.

"Eu tenho 66 anos e lhe digo que o governo de Lula é o melhor que eu vi na vida, e eu não digo isto só porque nós somos da mesma cidade. Houve mudanças em todo o país", diz Luis Silva, natural de Caetés (PE).

Caetés era um distrito de Garanhuns quando Lula nasceu, mas ganhou sua emancipação anos depois. Hoje, as duas cidades reivindicam o título de cidade-natal do presidente.

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ministro manda famiglia Civita limpar a bunda com a Veja

Blog do Planalto
Veja: má vontade e preconceito conduzem à cegueira

Resposta do ministro Jorge Hage a editorial de balanço da revista Veja:

Brasília, 27 de dezembro de 2010.


Sr. Editor,


Apesar de não surpreender a ninguém que haja acompanhado as edições da sua revista nos últimos anos, o número 52 do ano de 2010, dito de “Balanço dos 8 anos de Lula”, conseguiu superar-se como confirmação final da cegueira a que a má vontade e o preconceito acabam por conduzir.

Qualquer leitor que não tenha desembarcado diretamente de Marte na noite anterior haverá de perguntar-se “de que país a Veja está falando?”. E, se o leitor for um brasileiro e não integrar aquela ínfima minoria de 4% que avalia o Governo Lula como ruim ou péssimo, haverá de enxergar-se um completo idiota, pois pensava que o Governo Lula fora ótimo, bom ou regular. Se isso se aplica a todas as “matérias” e artigos da dita retrospectiva, quero deter-me especialmente às páginas não-numeradas e não-assinadas, sob o título “Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo”. Ali, dentre outras raivosas
adjetivações (e sem apontar quaisquer fatos, registre-se), o Governo Lula é apontado como “o mais corrupto da República”.

Será ele o mais corrupto porque foi o primeiro Governo da República que colocou a Polícia Federal no encalço dos corruptos, a ponto de ter suas operações criticadas por expor aquelas pessoas à execração pública? Ou por ser o primeiro que levou até governadores à cadeia, um deles, aliás, objeto de matéria nesta mesma edição de Veja, à página 81? Ou será por ser este o primeiro Governo que fortaleceu a Controladoria-Geral da União e deu-lhe liberdade para investigar as fraudes que ocorriam desde sempre, desbaratando esquemas mafiosos que operavam desde os anos 90, (como as Sanguessugas, os Vampiros, os Gafanhotos, os Gabirus e tantos mais), e, em parceria com a PF e o Ministério Público, propiciar os inquéritos e as ações judiciais que hoje já se contam pelos milhares? Ou por ter indicado para dirigir o Ministério Público Federal o nome escolhido em primeiro lugar pelos membros da categoria, de modo a dispor da mais ampla autonomia de atuação, inclusive contra o próprio Governo, quando fosse o caso? Ou já foram esquecidos os tempos do “Engavetador-Geral da República”?

Ou talvez tenha sido por haver criado um Sistema de Corregedorias que já expulsou do serviço público mais de 2.800 agentes públicos de todos os níveis, incluindo altos funcionários como procuradores federais e auditores fiscais, além de diretores e superintendentes de estatais (como os Correios e a Infraero). Ou talvez este seja o governo mais corrupto por haver aberto as contas públicas a toda a população, no Portal da Transparência, que exibe hoje as despesas realizadas até a noite de ontem, em tal nível de abertura que se tornou referência mundial reconhecida pela ONU, OCDE e demais organismos internacionais.

Poderia estender-me aqui indefinidamente, enumerando os avanços concretos verificados no enfrentamento da corrupção, que é tão antiga no Brasil quanto no resto do mundo, sendo que a diferença que marcou este governo foi o haver passado a investigá-la e revelá-la, ao invés de varrê-la para debaixo do tapete, como sempre se fez por aqui.

Peço a publicação.

Jorge Hage Sobrinho
Ministro-Chefe da Controladoria-Geral da União

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Alanis Morissette põe nome de cachorro húngaro no filho


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FHC confessa que sempre foi um imbecil

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou não ter "imaginação suficiente" para completar lacunas no raciocínio da próxima ocupante do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff.

"Tenho dificuldade mesmo. Você sabe que eu sou curto de inteligência, às vezes eu não consigo. Ela não termina o raciocínio, e eu não tenho imaginação suficiente para saber o que ela ia dizer", disse após ser questionado por Diogro Mainardi, um dos entrevistadores do programa Manhattan Connection.

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Classe merda visita Brasília

Camiseta preta e nariz de palhaço, uniforme de imbecil "mobilizado" pelo Twitter/Facebook
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Sobra emprego, Brasil pode ter que importar mão de obra

Falta mão de obra no "chão de fábrica"
Nível de pleno emprego eleva salários, aumenta a rotatividade de profissionais e afeta a qualidade de serviços
Empresas investem mais em formação e retenção de pessoas; mão de obra pode passar a ser importada
TONI SCIARRETTA
Ditabranda Online

Primeiro faltavam engenheiros, profissionais de finanças e executivos multilíngues com MBA no exterior. A escassez de mão de obra agora chegou ao chão de fábrica.

Com o desemprego em 5,7%, o menor já registrado pelo IBGE, serviços "intensivos em mão de obra" -construção, supermercados, restaurantes, telemarketing, bancos- têm dificuldade para selecionar pessoal até nos níveis iniciais de carreira.

Em São Paulo, faltam mestres de obra, eletricistas, operadores de call center, caixas de supermercado, atendentes de redes de fast food, vendedores de lojas de shoppings, entre outros profissionais até então abundantes.

São profissionais que vivem a inusitada situação de pleno emprego, com desocupação em torno de 5% da população trabalhadora.

"A oferta de mão de obra não acompanha a demanda. A única forma de equilibrar isso é aumentar a produtividade e reduzir os encargos trabalhistas", disse Edmar Bacha, um dos formuladores do Plano Real.

Neste ano, 97% das categorias profissionais que negociaram salários tiveram reajuste acima da inflação, segundo o Dieese.

Os bancos, que contrataram mais de 50 mil pessoas em 2010, não conseguem mais recrutar escriturários com tanta facilidade. Para entrar no setor, os bancos exigem agora curso superior completo ou em andamento.

O mercado de trabalho aquecido levou o banco Santander a atrasar a contratação de 1.200 pessoas.
"Não diria que está impossível contratar, mas está mais difícil. É um daqueles problemas bons de se ter", disse Fabio Barbosa, presidente do Santander.

RETENÇÃO

A disputa por profissionais é tão grande que o Bradesco elevou os salários dos gerentes de conta para evitar assédio da concorrência.

Na avaliação de Janine Berg, consultora da Organização Internacional do Trabalho, a situação cria oportunidade para equilibrar o mercado de trabalho, com maior empregabilidade de mulheres, jovens e idosos.

Também impõe mudanças nas rotinas de contratação e nos pacotes de retenção de funcionários. A alta rotatividade esbarra ainda na qualidade dos serviços e estimula a especialização.

"O Brasil ficou uma década sem crescimento e sem investimento na educação. De repente, passa a crescer mais de 5% ao ano. Para ocupações mais penosas, não acho impossível que o Brasil tenha de importar mão de obra", disse José Silvestre, economista do Dieese.

O McDonald's está com dificuldade para captar e treinar novos atendentes. A rede tem a maior rotatividade de sua história e está preocupada com o nível de reclamação dos clientes no Brasil.

Para não perder pessoal treinado para a concorrência, empresas desenvolvem políticas de contratação e de retenção de talentos.

As Lojas Renner procuram profissionais até no Facebook, e gastam 140 horas de treinamento por profissional. "As empresas assumiram o ônus da formação, e isso é motivo de atração", disse Clarice Martins Costa, diretora de recursos humanos.

"Mais importante do que salário, as pessoas querem crescer. Se não retiver o profissional, perde o investimento em formação e treinamento", disse Monica Ramos, diretora do CTS, empresa de recrutamento.

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domingo, 26 de dezembro de 2010

Bessinha e o blefe do ano


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Petkovic defende socialismo em plena TV Globo


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Tudo que você precisa saber sobre autoajuda

"Os livros de autoajuda deturpam os conhecimentos das ciências humanas, difundem chavões da "psicologia pop" e são nocivos, porque induzem seus leitores a dramatizar problemas, simplificam conflitos e soluções, criam dependência emocional e servem apenas para enriquecer seus autores, que se preocupam só com a autopromoção e os lucros."
Emprestado da Folha da Ditabranda Online
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Space oddity


David Bowie - Space Oddity
Enviado por Discodandan. - Veja os últimos vídeos de música em destaque.
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Velho batuta


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sábado, 25 de dezembro de 2010

Deus, salve a América!


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Gabriel García Márquez e o natal made in USA

Estas sinistras festas de Natal
Por Gabriel García Márquez
Artigo escrito para o El País 30 anos atrás

Ninguém mais se lembra de Deus no Natal. Há tanto barulho de cornetas e de fogos de artifício, tantas grinaldas de fogos coloridos, tantos inocentes perus degolados e tantas angústias de dinheiro para se ficar bem acima dos recursos reais de que dispomos que a gente se pergunta se sobra algum tempo para alguém se dar conta de que uma bagunça dessas é para celebrar o aniversário de um menino que nasceu há 2 mil anos em uma manjedoura miserável, a pouca distância de onde havia nascido, uns mil anos antes, o rei Davi.

Cerca de 954 milhões de cristãos – quase 1 bilhão deles, portanto – acreditam que esse menino era Deus encarnado, mas muitos o celebram como se na verdade não acreditassem nisso. Celebram, além disso, muitos milhões que nunca acreditaram, mas que gostam de festas e muitos outros que estariam dispostos a virar o mundo de ponta cabeça para que ninguém continuasse acreditando. Seria interessante averiguar quantos deles acreditam também no fundo de sua alma que o Natal de agora é uma festa abominável e não se atrevem a dizê-lo por um preconceito que já não é religioso, mas social.

O mais grave de tudo é o desastre cultural que estas festas de Natal pervertidas estão causando na América Latina. Antes, quando tínhamos apenas costumes herdados da Espanha, os presépios domésticos eram prodígios de imaginação familiar. O menino Jesus era maior que o boi, as casinhas nas colinas eram maiores que a Virgem e ninguém se fixava em anacronismos: a paisagem de Belém era complementada com um trenzinho de arame, com um pato de pelúcia maior que um leão que nadava no espelho da sala ou com um guarda de trânsito que dirigia um rebanho de cordeiros em uma esquina de Jerusalém.

Por cima de tudo, se colocava uma estrela de papel dourado com uma lâmpada no centro e um raio de seda amarela que deveria indicar aos Reis Magos o caminho da salvação. O resultado era na realidade feio, mas se parecia conosco e claro que era melhor que tantos quadros primitivos mal copiados do alfandegário Rousseau.

A mistificação começou com o costume de que os brinquedos não fossem trazidos pelos Reis Magos – como acontece na Espanha, com toda razão –, mas pelo menino Jesus. As crianças dormíamos mais cedo para que os brinquedos nos chegassem logo e éramos felizes ouvindo as mentiras poéticas dos adultos.

No entanto, eu não tinha mais do que cinco anos quando alguém na minha casa decidiu que já era hora de me revelar a verdade. Foi uma desilusão não apenas porque eu acreditava de verdade que era o menino Jesus que trazia os brinquedos, mas também porque teria gostado de continuar acreditando. Além disso, por uma pura lógica de adulto, eu pensei então que os outros mistérios católicos eram inventados pelos pais para entreter aos filhos e fiquei no limbo.

Naquele dia – como diziam os professores jesuítas na escola primária –, eu perdi a inocência, pois descobri que as crianças tampouco eram trazidas pelas cegonhas desde Paris, que é algo que eu ainda gostaria de continuar acreditando para pensar mais no amor e menos na pílula.

Tudo isso mudou nos últimos 30 anos, mediante uma operação comercial de proporções mundiais que é, ao mesmo tempo, uma devastadora agressão cultural. O menino Jesus foi destronado pela Santa Claus dos gringos e dos ingleses, que é o mesmo Papai Noel dos franceses e aos que conhecemos de mais. Chegou-nos com o trenó levado por um alce e o saco carregado de brinquedos sob uma fantástica tempestade de neve.

Na verdade, este usurpador com nariz de cervejeiro é simplesmente o bom São Nicolau, um santo de quem eu gosto muito e porque é do meu avô o coronel, mas que não tem nada a ver com o Natal e menos ainda com a véspera de Natal tropical da América Latina.

Segundo a lenda nórdica, São Nicolau reconstruiu e reviveu a vários estudantes que haviam sido esquartejados por um urso na neve e por isso era proclamado o patrono das crianças. Mas sua festa é celebrada em 6 de dezembro, e não no dia 25. A lenda se tornou institucional nas províncias germânicas do Norte no final do século 18, junto à árvore dos brinquedos e a pouco mais de cem anos chegou à Grã-Bretanha e à França.

Em seguida, chegou aos Estados Unidos, e estes mandaram a lenda para a América Latina, com toda uma cultura de contrabando: a neve artificial, as velas coloridas, o peru recheado e estes quinze dias de consumismo frenético a que muito poucos nos atrevemos a escapar.

No entanto, talvez o mais sinistro destes Natais de consumo seja a estética miserável que trouxeram com elas: esses cartões postais indigentes, essas cordinhas de luzes coloridas, esses sinos de vidro, essas coroas de flores penduradas nas portas, essas músicas de idiotas que são traduções malfeitas do inglês e tantas outras gloriosas asneiras para as quais nem sequer valia a pena ter sido inventada a eletricidade.

Tudo isso em torno da festa mais espantosa do ano. Uma noite infernal em que as crianças não podem dormir com a casa cheia de bêbados que erram de porta buscando onde desaguar ou perseguindo a esposa de outro que acidentalmente teve a sorte de ficar dormido na sala.

Mentira: não é uma noite de paz e amor, mas o contrário. É a ocasião solene das pessoas de quem não gostamos. A oportunidade providencial de sair finalmente dos compromissos adiados porque indesejáveis: o convite ao pobre cego que ninguém convida, à prima Isabel que ficou viúva há 15 anos, à avó paralítica que ninguém se atreve a exibir.

É a alegria por decreto, o carinho por piedade, o momento de dar presente porque nos dão presentes e de chorar em público sem dar explicações. É a hora feliz de que os convidados bebam tudo o que sobrou do Natal anterior: o creme de menta, o licor de chocolate, o vinho passado.

Não é raro, como aconteceu frequentemente, que a festa acabe a tiros. Nem tampouco é raro que as crianças – vendo tantas coisas atrozes – terminem acreditando de verdade que o menino Jesus não nasceu em Belém, mas nos Estados Unidos.

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Acenda o meu fogo


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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O antepassado de Lula


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Finalmente somos todos mulatos

Sarará Guarulhos
Marcelo Carneiro da Cunha

Povo do meu Brasil, levou quinhentos anos, mas a coisa aconteceu, finalmente. Não sei se vocês perceberam, mas miscigenamos de vez esse reduto da branquidão nacional, os nossos bravos aeroportos. Todo mundo vem lendo sobre a nova classe média, a ascensão de tantos e tanto para a classe C, os milhões de passageiros que iriam viajar pela primeira vez de avião nesse ano, não é mesmo? Mas eu não tinha sentido o impacto dessa transformação radical na nossa forma de vermos a nós mesmos, até o último final de semana, quando cheguei a Guarulhos para mais uma viagem e ele estava completamente moreno, mulato, mameluco, pardo, sei lá como o IBGE chamaria. Eu chamaria de, finalmente, igual e para todos.

Porque os aeroportos o Brasil, se são administrativamente desmontados pela Infraero, pareciam ser socialmente administrados pela Apartheid, Inc. Povo, povão, esse que está aí lotando nossos check-ins e fazendo foto até da esteira de bagagem, entrava apenas para olhar avião saindo e chegando, levando madame e monsieur para Nova York, ou Paris, ou levando e trazendo homens e algumas mulheres de negócios, a trabalho.

E é isso que acabou, meus estimados leitores. Saravá! Porque democracia social no Brasil passa, necessariamente, por democratização racial, ou melhor, por um nivelamento da cor a partir de um tom que represente a média da nossa mistura, que é intensa. Algo excessivamente branco, preto ou de algum outro tom puro, no nosso país, é sintoma de minoria, independente do tamanho da minoria, porque o que nos define como nação é a nossa mestiçagem. Onde ela estiver presente e participante, estamos bem.

Por isso, enquanto o aeroporto lotava, e velhinhas em vestidos coloridos amassavam os meus pobres pés, eu sorria, estimados leitores. Era isso, eu pensava, era isso o que a gente vinha buscando a tanto tempo sem sucesso. Uns poucos anos de governo de um presidente identificado com essa cor foi o que bastou para a gente mergulhar nela desse jeito. Sem discursos, sem besteiras, mas com a simples presença de milhares e milhares de recém chegados à festa, que se mostram muito confortáveis no novo papel, e acho que Lula tem uma enorme participação nisso, e não exatamente por eventuais sucessos econômicos, mas pelo exemplo. Se ele pode, passa a pensar o Brasil mais claramente mestiço, então posso eu, podes tu, pode o rabo do tatu, e vamos nessa. E vieram.

Eu sempre discordei da visão de que o Brasil era um caso de insucesso. Como dizia Darcy Ribeiro, o Brasil era um caso enorme de sucesso de uma elite que resolveu que o país seria ótimo para poucos e péssimo para os demais, o que era ótimo, para os poucos.

Hoje ele passa a se transformar em outra coisa, e, quem ainda duvida, dê um pulinho até Guarulhos, desde que consiga chegar, claro, com o trânsito e a ausência de trens até lá com que somos presenteados pelo governo do Tucanistão. Lá está a maior prova, com os milhões de trabalhadores que vieram construir o Sudeste indo visitar a terrinha onde quer que ela esteja. E de avião, como qualquer cidadão do mundo, vasto mundo. E com a família inteira junto, que é assim que se viaja. Que beleza! E tudo vai mudar, e o maior sinal da mudança está na cor desse novo Brasil, minha gente.

Quando eu morava nos Estados Unidos, eles adoravam dizer que eles eram um caldeirão de raças. Já eu achava que eles pareciam mais uma sopa de wanton, sabem? Um caldo ralo onde flutuam bolinhos de carne que não chegam a se mesclar jamais. Já o Brasil sempre me pareceu uma sopa de feijão, tudo mais misturado e com a cor sendo a soma das partes dividida por elas. É assim que começamos a ser e viver.

Claro que ainda existe uma camada composta predominante por pessoas brancas. Mas o fato é que a mistura começa a invadir e a predominar, tanto pelos números quanto pelo acesso ao que existe, já que a maioria das coisas é de quem pode pagar por elas, e, hoje em dia, e no futuro, mais e mais vão poder.

Talvez esse seja o maior legado dessa curta e incrível Era Lula, que todos vivemos, mesmo que uns 7% não gostem. Talvez essa seja a parte mais interessante do futuro para onde todos estamos indo, via Guarulhos. Finalmente estamos todos lá, finalmente somos todos mulatos, e a farra é nossa.

Só quero ver agora o que a Danusa e o Bóris vão achar disso.

Um abraço a todos, e um próximo ano novo.

Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe", publicados pela editora Projeto.

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Apple adere ao terror contra a liberdade de expressão

Apple remove aplicativo do WikiLeaks de loja on-line
Programa dava acesso ao conteúdo do site e de perfil no Twitter.
'Ele viola nossas normas para desenvolvedores', diz empresa.
Da Reuters

A Apple se juntou ao crescente grupo de empresas norte-americanas que cortaram relações com o WikiLeaks, ao retirar de sua loja on-line um aplicativo que dava ao usuários acesso ao controverso conteúdo do site e de seu perfil no Twitter por violação de normas de uso.

Nas últimas semanas, diversas companhias como Amazon.com e Bank of America deixaram de prestar serviços ao WikiLeaks, que incitou a ira do governo dos Estados Unidos ao divulgar milhares de documentos confidenciais norte-americanos.

Ciberativistas têm reagido contra companhias consideradas inimigas do WikiLeaks, atacando sites com o da operadora de cartões Visa. O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi solto da prisão sob fiança na semana passada no Reino Unido, e luta para evitar sua extradição para a Suécia.

'Removemos o aplicativo do WikiLeaks de nossa App Store porque ele viola nossas normas para desenvolvedores', disse a Apple em comunicado nesta quarta-feira. 'Os aplicativos devem cumprir leis locais e não podem colocar indivíduos ou um grupo em perigo.'

O advogado-geral dos EUA, Eric Holder, disse que considera usar o Ato de Espionagem, além de outras leis, para processar os responsáveis pelo vazamento dos documentos confidencias pelo WikiLeaks. 

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As últimas palavras de Orestes Quércia


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Falha deseja um Feliz Natal à Folha


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Dilma canta na comemoração de Natal dos catadores em São Paulo


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Morre Orestes Quércia

52 milhões 30 anos atrás

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Último pronunciamento oficial do presidente Lula nesse mandato


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O maior de todos despede-se, temporariamente, da presidência

"Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Dentro de poucos dias, deixo a presidência da república. Foram oito anos de luta, desafios e muitas conquistas. Mas, acima de tudo, de amor e de esperança no Brasil e no povo brasileiro. Com muita alegria, vou transmitir o cargo à companheira Dilma Rousseff, consagrada nas urnas em uma eleição livre, transparente e democrática. Um rito rotineiro neste país que já se firmou como uma das maiores democracias do mundo.

É profundamente simbólico que a faixa presidencial passe das mãos do primeiro operário presidente para as mãos da primeira mulher presidenta. Será um marco no belo caminho que nosso povo vem construindo para fazer do Brasil, se Deus quiser, um dos países mais igualitários do mundo. País que já realizou parte do sonho dos seus filhos. Mas que pode e fará muito mais para que este sonho tenha a grandeza que o brasileiro quer e merece.

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje, cada brasileiro – e brasileira - acredita mais no seu país e em si mesmo. Trata-se de uma conquista coletiva de todos nós. Se algum mérito tive, foi o de haver semeado sonho e esperança. Meu sonho e minha esperança vêm das profundezas da alma popular - do berço pobre que tive e da certeza que, com luta, coragem e trabalho, a gente supera qualquer dificuldade. E quando uma pessoa do povo consegue vencer as dificuldades gigantescas que a vida lhe impõe, nada mais consegue aniquilar o seu sonho, nem sua capacidade de superar desafios. E, quando um país como o Brasil, cuja maior força está na alma e na energia popular, passa a acreditar em si mesmo, nada, absolutamente nada, detém sua marcha inexorável para a vitória.

Foi com esta energia no peito que nós, brasileiros e brasileiras, afugentamos a onda de fracasso que pairava sobre o país quando assumimos o governo. Agora, estamos provando ao mundo - e a nós mesmos - que o Brasil tem um encontro marcado com o sucesso.

Se governei bem, foi porque antes de me sentir presidente, me senti sempre um brasileiro comum que tinha que superar as suas dores, vencer os preconceitos e não fracassar. Se governei bem, foi porque antes de me sentir um chefe de Estado, me senti sempre um chefe de família, que sabia das dificuldades dos seus irmãos para colocar comida na mesa, para dar escola para seus filhos, para chegar em casa, todas as noites, a salvo dos perigos e da violência.

Se governamos bem, foi, principalmente, porque conseguimos nos livrar da maldição elitista que fazia com que os dirigentes políticos deste grande país governassem apenas para um terço da população e se esquecessem da maioria do seu povo, que parecia condenada à miséria e ao abandono eternos.

Mostramos que é possível e necessário governar para todos - e quando isso se realiza o grande ganhador é o país.

Minhas amigas e meus amigos,

O Brasil venceu o desafio de crescer econômica e socialmente e provou que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Construímos, juntos, um projeto de nação baseado no desenvolvimento com inclusão social, na democracia com liberdade plena e na inserção soberana do Brasil no mundo. Fortalecemos a economia sem enfraquecer o social; ampliamos a participação popular sem ferir as instituições; diminuímos a desigualdade sem gerar conflito de classes; e imprimimos uma nova dinâmica política, econômica e social ao país, sem comprometer uma sequer das liberdades democráticas.

Ao receber ajuda e apoio, o nosso povo deu uma resposta dinâmica e produtiva, trabalhando com entusiasmo e consumindo com responsabilidade, ajudando a formar uma das economias mais sólidas e um dos mercados internos mais vigorosos do mundo. Em suma: governo e sociedade trabalharam sempre juntos, com união, equilíbrio, participação e espírito democrático.

Minhas amigas e meus amigos,

O Brasil demonstra hoje sua pujança em obras e projetos que estão entre os maiores do mundo e vão mudar o curso da nossa história. Me refiro às obras das hidrelétricas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte; às refinarias de Pernambuco, Rio de Janeiro, Maranhão e Ceará; às estradas que vão abrir rotas inéditas e estratégicas, como as ligações com o Pacífico e o Caribe; e às ferrovias Norte-Sul, Transnordestina e Oeste-Leste, além do projeto, em licitação, do trem de alta velocidade, que vai ligar São Paulo ao Rio.

Também estamos fazendo os maiores investimentos mundiais no setor de petróleo, principalmente a partir da descoberta do pré-sal, que é o nosso passaporte para o futuro. Ele vai gerar milhões de empregos e uma riqueza que será, obrigatoriamente, aplicada no combate à pobreza, na saúde, na educação, na cultura, na ciência e tecnologia e na defesa do meio ambiente.

Estamos, ainda, realizando um dos maiores projetos de combate à seca do mundo: a transposição das águas do São Francisco, que irá matar a sede e diminuir a pobreza de milhões e milhões de nordestinos.

Ao mesmo tempo em que realiza grandes obras, o Brasil, acima de tudo, cuida das pessoas - em especial das pessoas mais pobres. Temos, hoje, os maiores e mais modernos programas de transferência de renda, segurança alimentar e assistência social do mundo. Entre eles, o Bolsa Família, que beneficia quase 13 milhões de famílias pobres e é aplaudido e imitado mundo afora.

Nosso modelo de governo também permitiu que o salário mínimo tivesse ganho real de 67% e a oferta de crédito alcançasse 48% do PIB em 2010, um recorde histórico. O investimento em agricultura familiar cresceu oito vezes e assentamos 600 mil famílias - metade de todos os assentamentos realizados no Brasil até hoje.

Com o Luz para Todos levamos energia elétrica a 2 milhões e 600 mil pequenas propriedades. E, através do Minha Casa Minha Vida, estamos construindo 1 milhão de moradias, e as famílias que recebem até 3 salários mínimos serão as mais beneficiadas.

Na área da saúde, tivemos vários avanços como o Samu, o Brasil Sorridente e as unidades de pronto atendimento, as UPAs, que estão sendo construídas Brasil afora.

Triplicamos o investimento em educação, elevando a qualidade do ensino em todos os níveis. Inauguramos 214 escolas técnicas federais, mais do que foi feito em 100 anos. E implantamos 14 novas universidades e 126 novas extensões universitárias em todas as regiões do país. O Prouni beneficiou 750 mil jovens de baixa renda, com bolsas universitárias.

Meus amigos e minhas amigas,

Há muitos outros motivos que reforçam nossa confiança no futuro do Brasil. Temos quase 300 bilhões de dólares de reservas internacionais próprias - dez vezes mais do que tínhamos no início do nosso governo. Nossa taxa média anual de crescimento dobrou. Agora, em 2010, por exemplo, vamos ter um crescimento recorde de quase oito por cento - um dos maiores do mundo.

E outras quatro grandes conquistas provam, com força simbólica e concreta, que nosso país mudou de patamar e também mudou de atitude. Geramos 15 milhões de empregos, um recorde histórico, e hoje começamos a viver um ciclo de pleno emprego. Promovemos a maior ascensão social de todos os tempos, retirando 28 milhões de pessoas da linha da pobreza e fazendo com que 36 milhões entrassem na classe média.

Zeramos nossa dívida com o Fundo Monetário Internacional e agora é o Brasil que empresta dinheiro ao FMI. E, ao mesmo tempo, reduzimos como nunca o desmatamento na Amazônia.

A minha maior felicidade é saber que vamos ampliar todas estas conquistas. Minha fé se alicerça em três fundamentos: as riquezas do Brasil, a força do seu povo e a competência da presidenta Dilma. Ela conhece, como ninguém, o que foi feito e como fazer mais e melhor. Tenho certeza de que Dilma será uma presidenta à altura deste novo Brasil, que respeita seu povo e é respeitado pelo mundo.

Este país que, depois de produzir seguidos espetáculos de crescimento e inclusão, vai sediar os dois maiores eventos do planeta: a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Este país que reduziu a desigualdade entre as pessoas e entre as regiões e vai seguir reduzindo-a muito mais. Este país que descobriu que não há maior conquista do que recuperar a auto-estima do seu povo.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Quero encerrar com um pedido enfático e um agradecimento profundo.
Peço a todos que apóiem a nova presidenta, assim como me apoiaram em todos os momentos. Isso também significa cobrar, na hora certa, como vocês souberam me cobrar. A cobrança foi um estímulo para que a gente quisesse fazer sempre mais.
E o amor de vocês foi a minha grande energia e meu principal alimento. Agradeço a vocês por terem me ensinado muitas lições. E por terem me fortalecido nas horas difíceis e ampliado minha alegria nas horas alegres.

Saio do governo para viver a vida das ruas. Homem do povo que sempre fui, serei mais povo do que nunca, sem renegar o meu destino e jamais fugir à luta.

Não me perguntem sobre o meu futuro, porque vocês já me deram um grande presente. Perguntem, sim, pelo futuro do Brasil! E acreditem nele. Porque temos motivos de sobra para isso.

Minha felicidade estará sempre ligada à felicidade do meu povo. Onde houver um brasileiro sofrendo, quero estar espiritualmente ao seu lado. Onde houver uma mãe e um pai com desesperança quero que minha lembrança lhes traga um pouco de conforto. Onde houver um jovem que queira sonhar grande, peço-lhe que olhe a minha história e veja que na vida nada é impossível.

Vivi no coração do povo e nele quero continuar vivendo até o último dos meus dias. Mais que nunca, sou um homem de uma só causa e esta causa se chama Brasil!

Um feliz natal e próspero ano novo a todos vocês. E muito obrigado por tudo."

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Milagre de natal

Ou hackers tomaram o UOL e publicaram notícias falsas para estragar o natal do Tavinho ou...é UM MILAGRE DE NATAL!


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