sábado, 24 de março de 2012

O que Dilma disse à Veja

Brasil 247 
Neste fim de semana, a presidente Dilma Rousseff concedeu uma importante entrevista à revista Veja, suposta trincheira do que os blogueiros supostamente progressistas chamam de “imprensa golpista”. Falou por duas horas ao diretor Eurípedes Alcântara e aos redatores-chefe Thais Oyama, Policarpo Júnior e Lauro Jardim. Eis o que há de essencial no depoimento, onde Dilma aparece magistralmente fotografada por Cristiano Mariz:

Sobre a crise internacional

“O Brasil está em uma situação agora em que podemos dizer aos países ricos que não queremos o dinheiro deles. Eu disse isso com toda a clareza à chanceler Angela Merkel durante a minha visita à Alemanha.”

Sobre a guerra cambial

“E o que fazem os investidores? Ora, eles tomam empréstimos a juros baixíssimos, em alguns casos até negativos, nos países europeus e correm para o Brasil para aproveitar o que os especialistas chamam de arbitragem. Eles ganham à nossa custa. Então o Brasil não pode ficar paralisado diante disso.”

Sobre o protecionismo

“O protecionismo é uma maneira permanente de ver o mundo como hostil, o que leva ao fechamento da economia. Isso não faremos. Já foi tentado no Brasil com consequências desastrosas para o nosso desenvolvimento.”

Sobre a taxa de investimentos

“O governo vai investir e criar o ambiente de negócios para que isso ocorra. Os empresários terão de fazer a parte deles, aproveitar as oportunidades, assumir riscos e deixar aflorar aquilo que Keynes chamava de espírito animal da livre iniciativa.”

Sobre a corrupção

“Nós temos de ser o mais avesso possível aos malfeitos. Não vou transigir. É bom ficar claro que isso não quer dizer que todos os ministros que deixaram o governo estivessem envolvidos com alguma irregularidade.”

Sobre a expressão faxina ética

“Parece preconceituoso. Se o presidente fosse um homem, vocês falariam em faxina?”

Sobre a crise com o Congresso

“A tensão é inerente ao presidencialismo de coalizão com base partidária. No governo passado, perdemos a votação da CPMF, e o céu não caiu sobre a nossa cabeça.”

Sobre a comparação com Collor, que desprezou o Congresso

“O que é preciso ter em mente é que as grandes crises institucionais no Brasil ocorreram não por questiúnculas, pequenas discordâncias entre o Executivo e o Legislativo. As grandes crises institucionais se originaram da perda de legitimidade do governante.”

Sobre as relações com a base

“Não gosto desse negócio de toma lá dá cá. Não gosto e não vou deixar que isso aconteça no meu governo.”

Sobre a relação com Lula

“Nós já divergimos muito no passado e continuamos não concordando em algumas coisas. Eu tenho uma profunda admiração por ele, uma profunda amizade nos une. Mas discordamos, sim. Isso é normal.”

Sobre a Copa de 2014

“O Brasil fará a melhor de todas as Copas do Mundo. Querem apostar comigo?”

Sobre a carga tributária

“Os empresários reclamaram que os impostos cobrados no Brasil inviabilizam as melhores iniciativas e impedem que eles possam competir em igualdade de condições no mundo. Eu concordo. Temos de baixar nossa carga de impostos. E vamos baixá-la.”
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6 comentários:

Berzé disse...

Oi esquerdopata,
Postei algo sobre os Demo.
Confira!
Berzé

jorge mendes disse...

Não confio,vão mudar tudo a matéria e distorcer a entrevista.

Não é tão já que voltará a ser a revista séria de antigamente.

jorge mendes disse...

Não confio,vão mudar tudo a matéria e distorcer a entrevista.

Não é tão já que voltará a ser a revista séria de antigamente.

Henrique disse...

Óia, se não foi gravada, vai ter maracutaia!

blog.calinux.com.br disse...

A ultima resposta sobre carga tributária, eu acho que a presidenta nem deveria respopnder, uma pequa empresa no ramko médico hospitalar, pagar quase R$ 1.500,00 para O Conselho de Farmacia anual, e mais contratar O famaceutico em tempo integral pagando o piso e ainda pagando substituição tributária para toda cadeia produtiva sozinhos e como fiel depositário, não só destroi o pequeno empreendedor como o torna escravo. Os governos e as agências reguladoras perderam a noção de valor e do lucro das empresas. Estou muito magoado com essa situição. E não há nenhuma voz em fazor do comercio. As federações são todas extensão dos governos e dos grande, os que conseguem grandes negociações públicas. Há de haver um levante ao estilo inconfidentes para frear a escravização dos pequenos comerciantes pelos governos. Todo comerciante honesto esta sofrendo de alguma enfermidade pois para ser honesto temos que NOS submeter A CONSELHOS DE PROFISSIONAIS QUE SÃO MEROS ARRECADADORES.

Apelido disponível: Sala Fério disse...

Acho que Dilma tá viajando muito na onda neoliberal: impostos são a base de governos redistribuidores de renda e ampliadores do acesso a bens públicos. No Brasil se sonega metade do que é devido, portanto, a carga efetiva é baixa. Porém, para sanar tal problema e ampliar benefícios (previdenciários, por exemplo, a domésticas e donas de casa), aumenta-se a contribuição dos servidores, que passarão a ter que contribuir com quase 20% para fazerem jus a aposentadoria integral. Isso é um erro: arrochar o servidor, que é classe média ou classe média baixa, em vez de arrochar os grandes sonegadores que vivem de abrir e fechar empresas para fraudar o fisco. Fazer eco com um empresariado egoísta e parasita, que pratica margens de lucro irreais, mas se queixa de impostos, é um erro. No mais, acho que ela está mandando bem.

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