sábado, 31 de março de 2012

O Cordão da Mentira

Depois de torturadores, apoiadores da ditadura são alvos de protesto em São Paulo 
Carta Maior

Depois dos assassinos e torturadores, agora é a vez dos apoiadores do golpe civil-militar de 1964 serem alvos de protestos. Passando por jornais, empresas e lugares simbólicos do apoio civil à ditadura, o Cordão da Mentira irá desfilar pelo centro da cidade de São Paulo para apontar quais foram os atores civis que se uniram aos militares durante os anos de chumbo.

Os organizadores - coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas da capital - afirmam ter escolhido o 1º de abril, Dia da Mentira e aniversário de 48 anos do golpe, para discutir a questão "de modo bem-humorado e radical".
Ao longo do trajeto, os manifestantes cantarão sambas e marchinhas de autoria própria e realizarão intervenções artísticas que, segundo eles, pretendem colocar a pergunta: “Quando vai acabar a ditadura civil-militar?”.

TRAJETO (confira resumo, no fim do texto)
A concentração acontecerá às 11h30, em frente ao cemitério da Consolação.
Em seguida, o cordão passará pela rua Maria Antônia, onde estudantes da Universidade Mackenzie, dentre eles integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), entraram em confronto com alunos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Um estudante secundarista morreu.

Dali, os foliões-manifestantes seguem para a sede da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), uma das organizadoras da “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”, que 13 dias antes do golpe convocava o exército para se levantar “contra a desordem, a subversão, a anarquia e o comunismo”.

Depois de passar pelo Elevado Costa e Silva - que leva o nome do presidente em cujo governo foi editado o AI-5, o mais duro dos Atos Institucionais da ditadura - o bloco seguirá pela alameda Barão de Limeira, onde está a sede do jornal Folha de S.Paulo. Segundo Beatriz Kushnir, doutora em história social pela Unicamp, a Folha ficou conhecida nos anos 70 como o jornal de “maior tiragem” do Brasil, por contar em sua redação com o maior número de “tiras”, agentes da repressão.

A ação da polícia na Cracolândia, símbolo da continuidade das políticas repressivas no período pós-ditadura, bem como o Projeto Nova Luz, realizado pela Prefeitura de São Paulo, serão alvos dos protestos durante a passagem do cordão pela rua Helvétia.

Finalmente, será na antiga sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), na rua General Osório, que o Cordão da Mentira morrerá.

CORDÃO DA MENTIRA
Quando: Domingo, 1º de abril de 2012, a partir das 11h30
Onde: concentração no Cemitério da Consolação

TRAJETO

  • R. Maria Antônia – Guerra da Maria Antônia
  • Av. Higienópolis – sede da TFP
  • R. Martim Francisco
  • R. Jaguaribe
  • R. Fortunato
  • R. Frederico Abranches
  • Parada no Largo da Santa Cecília
  • R. Ana Cintra – Elevado Costa e Silva
  • R. Barão de Campinas
  • R. Glete
  • R. Barão de Limeira – jornal Folha de S.Paulo
  • R. Duque de Caxias – Cracolândia/Projeto Nova Luz
  • R. Mauá

Dispersão: R. Mauá com a R. General Osório – antigo prédio do Dops
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Um dia antes do golpe



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As principais notícias da semana



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Charge do Duke



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Fascistas comemoram censura, torturas e assassinatos

Cerca de 80 militares da reserva e familiares se reuniram neste sábado em um quiosque na praia da Barra da Tijuca (zona oeste do Rio) para assistira a um salto de paraquedas em comemoração aos 48 anos do golpe de 1964.

Quatro coronéis pularam do avião carregando bandeiras do Brasil.

Ao contrário dos atos que aconteceram durante a semana no Rio, não houve manifestações contrárias.

Mais cedo, um avião sobrevoou toda a orla da zona sul carioca com uma faixa escrita "parabéns Brasil, 31 do 3 de 64".

"Sou macho, mas estou arrepiado", disse o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Foi ele quem pagou R$ 2.000 pela faixa e voo. Ele deve pagar mais R$ 1.500 para um segundo voo no domingo.


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Deputado do PPS recebeu R$ 175 mil de Cachoeira

Ator Stepan Nercessian admite ter pego empréstimo para comprar apartamento, mas diz que não suspeitava de empresário (?)
Dinheiro, R$ 160 mil, foi devolvido, segundo extrato; mais R$ 15 mil foram para ingresso de Carnaval para Cachoeira

FILIPE COUTINHO
LEANDRO COLON
FERNANDO MELLO
FOLHA

O deputado federal e ator Stepan Nercessian (PPS-RJ) recebeu R$ 175 mil no ano passado do empresário(?) Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal.

Stepan admitiu à Folha que recebeu o dinheiro, após ser informado de que as transações aparecem em grampos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que levou à prisão de Cachoeira.

Ele confirmou que recebeu do empresário um depósito no valor de R$ 160 mil em 17 de junho no passado.

Segundo Stepan, o montante era para ser usado na compra de um apartamento no Rio, avaliado em mais de R$ 500 mil. No dia 20 de junho, o deputado devolveu o dinheiro para a mesma conta de uma empresa do grupo de Cachoeira, segundo extrato que ele enviou à Folha.

"Estava fazendo o empréstimo [com um banco para comprar o imóvel] e, na hora 'H', fiquei com medo de não sair o dinheiro e pedi para ele [Cachoeira], para não perder o negócio. Ele é um cara que eu sei que se eu pedisse ele emprestava. Acabou que o empréstimo saiu e não precisei do dinheiro", afirmou.

Stepan disse que é amigo de Cachoeira há muitos anos, já que os dois são de Goiás.

O deputado também admitiu que recebeu, em março do ano passado, outros R$ 15 mil do empresário investigado. O dinheiro, diz, foi usado para comprar ingressos do Carnaval carioca para Cachoeira.

O deputado diz que pode se licenciar. "Qualquer coisa que tenha que fazer, para esclarecer, a primeira coisa que farei é me licenciar. Mesmo eu estando tranquilo, o PPS não merece ser envolvido."

Na operação, a PF levantou conversas de Cachoeira sobre as transações.

"Carlinhos fala para Geovani mandar uma mensagem para o deputado federal Stepan Nercessian para ele depositar 160 numa determinada conta", diz a PF.

Um minuto depois, Cachoeira passa para o colega o celular de Stepan, usado pelo deputado até hoje, e "fala para Geovani que não é mais para usar o celular porque tem medo de estar grampeado".

Stepan disse que acreditava "completamente" que o dinheiro emprestado era legal.

"Juro que não sei as nuances, mas para mim ele era um empresário. Não estava pedindo um dinheiro 'dado'. Era para devolver", disse.

Na atual investigação, um homem relata como Cachoeira se gabava de ter relações com políticos. "O homem falou que tem o poderio na mão, tem governador, senador, deputado, é tudo."

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Laertevisão



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sexta-feira, 30 de março de 2012

Análise crítica da cobertura da manifestação contra a comemoração do golpe de 64




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O último vagido do esgoto

FHC se distanciando do barro
Luis Nassif

São apenas indícios, e como tal devem ser tratados.

1. Quando saiu "A Privataria Tucana", a primeira reação de FHC foi comparar o livro ao "dossiê Cayman". Aparentemente, foi antes de ler. Depois, manteve um silêncio prudente. Sua manifestação seguinte foi na entrevista a um jornal inglês, dizendo ter chegado ao fim a era Serra e iniciado a era Aécio no PSDB. Imediatamente Serra contra-atacou bem ao seu estilo - através de um de seus gendarmes, o Marco Antonio Villa, em um artigo no Estadão, com críticas biliosas a FHC. Villa é muito pequeno para merecer uma resposta de FHC. A resposta foi dada por Xico "Mão Pesada" Graziano.

2. Em seguida surge o caso Prefeitura de São Paulo. Alckmin e Kassab usam a máquina partidária para apoiar Serra. FHC dá uma declaração formal de apoio, relembrando as "ligações históricas" com Serra. E nada mais diz.

3. Logo em seguida, dois movimentos simultâneos. O Estadão - que tem muito mais ligações com FHC do que com Serra - abandona o apoio incondicional a Serra e solta um editorial com um conjunto de argumentos presentes nas críticas do Blog ao Serra, mas até então inexistentes nas páginas de Opinião do jornal. E FHC faz uma visita a Lula, com um amplo simbolismo: dois velhos companheiros que se dividiram no tempo mas que estão, ali, para mostrar que a disputa política pode e deve ser civilizada.

Juntando essas peças, me parece que a tendência de FHC será a de se afastar mais e mais de Serra e do que promete ser o último vagido do esgoto na vida política nacional.

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Gravação mostra conversa entre Demóstenes e Cachoeira


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Entrevista completa de Lula à Folha

CLÁUDIA COLLUCCI
MÔNICA BERGAMO

Folha - Como o sr. está?

Luiz Inácio Lula da Silva - O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.

Foi difícil abrir mão...

Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.

O sr. teve medo?

A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.

Qual é a palavra correta?

A palavra correta... É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.

Kalil [interrompendo] - Pelo amor de Deus, presidente!

Em coma?

Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até...

Sentia dor?

Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.

Teve medo de morrer?

Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.

O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?

Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.

Mesmo assim, teve um medo grande?

Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: 'Não tenha medo da morte'. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem...

Qual foi o pior momento neste processo?

Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada.

Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: 'Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor'. Eu já tava cansado de chupar pastilha.

No dia do meu aniversário, eu disse: 'Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames'. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil.

Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: 'Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!' Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: 'Então vamos tratar'.

Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.

Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: 'Vamos fazer'.

O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: 'Hoje eu não quero, não tô com vontade'.

O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?

Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.

Fez alguma promessa?

Não.

Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.

Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.

E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?

Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói.

Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia!

Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011... Nós visitamos 30 e poucos países.

Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.

Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?

Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.

O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?

Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.

Tem falado com ela?

Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.

E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?

Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência.

Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas?

E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.

Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral.

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Vira-latas atacam na internet

Sete modelos de tomadas, todas incompatíveis entre si. Quem está errado? Nós, só nós.


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A manifestação dos caras-pintadas diante do Clube Militar


Foi um acaso. Eu passava hoje pela Rio Branco, prestes a pegar o Aterro, quando ouvi gritos e vi uma aglomeração do lado esquerdo da avenida. Pedi ao motorista para diminuir a marcha e percebi que eram os jovens estudantes caras-pintadas manifestando-se diante do Clube Militar, onde acontecia a anunciada reunião dos militares de pijama celebrando o "31 de Março" e contra a Comissão da Verdade.

Só vi jovens, meninos e meninas, empunhando cartazes em preto e branco, alguns deles com fotos de meu irmão e de minha cunhada. Pedi ao motorista para parar o carro e desci. Eu vinha de um almoço no Clube de Engenharia. Para isso, fui pela manhã ao cabeleireiro, arrumei-me, coloquei joias, um vestido elegante, uma bolsa combinando com o rosa da estampa, sapatos prateados. Estava o que se espera de uma colunista social.

A situação era tensa. As crianças, emboladas, berrando palavras de ordem e bordões contra a ditadura e a favor da Comissão da Verdade. Frases como "Cadeia Já, Cadeia Já, a quem torturou na ditadura militar". Faces jovens, muito jovens, imberbes até. Nomes de desaparecidos pintados em alguns rostos e até nas roupas. E eles num entusiasmo, num ímpeto, num sentimento. Como aquilo me tocou! Manifestantes mais velhos com eles, eram poucos. Umas senhoras de bermudas, corajosas militantes. Alguns senhores de manga de camisa. Mas a grande maioria, a entusiasmada maioria, a massa humana, era a garotada. Que belo!

Eram nossos jovens patriotas clamando pela abertura dos arquivos militares, exigindo com seu jeito sem modos, sem luvas de pelica nem punhos de renda e sem vosmecê, que o Brasil tenha a dignidade de dar às famílias dos torturados e mortos ao menos a satisfação de saberem como, de que forma, onde e por quem foram trucidados, torturados e mortos seus entes amados. Pelo menos isso. Não é pedir muito, será que é?

Quando vemos, hoje, crianças brasileiras que somem, se evaporam e jamais são recuperadas, crianças que inspiram folhetins e novelas, como a que esta semana entrou no ar, vendidas num lixão e escravizadas, nós sabemos que elas jamais serão encontradas, pois nunca serão procuradas. Pois o jogo é esse. É esta a nossa tradição. Semente plantada lá atrás, desde 1964 - e ainda há quem queira comemorar a data! A semente da impunidade, do esquecimento, do pouco caso com a vida humana neste país.

E nossos quixotinhos destemidos e desaforados ali diante do prédio do Clube Militar. "Assassino!", "assassino!", "torturador!", gritava o garotinho louro de cabelos longos anelados e óculos de aro redondo, a quem eu dava uns 16 anos, seguido pela menina de cabelos castanhos e diadema, e mais outra e mais outro, num coro que logo virava um estrondo de vozes, um trovão. Era mais um militar de cabeça branca e terno ajustado na silhueta, magra sempre, que tentava abrir passagem naquele corredor humano enfurecido e era recebido com gritos e desacatos. Uma recepção com raiva, rancor, fúria, ressentimento. Até cuspe eu vi, no ombro de um terno príncipe de Gales.

Magros, ainda bem, esses velhos militares, pois cabiam todos no abraço daqueles PMs reforçados e vestidos com colete à prova de balas, que lhes cingiam as pernas com os braços, forçando a passagem. E assim eles conseguiram entrar, hoje, um por um, para a reunião em seu Clube Militar: carregados no colo dos PMs.

Os cartazes com os rostos eram sacudidos. À menção de cada nome de desaparecido ao alto-falante, a multidão berrava: "Presente!". Havia tinta vermelha cobrindo todo o piso de pedras portuguesas diante da portaria do edifício. O sangue dos mortos ali lembrados. Tremulavam bandeiras de partidos políticos e de não sei o quê mais, porém isso não me importava. Eu estava muito emocionada. Fiquei à parte da multidão. Recuada, num degrau de uma loja de câmbio ao lado da portaria do prédio. A polícia e os seguranças do Clube evacuaram o local, retiraram todo mundo. Fotógrafos e cinegrafistas foram mandados para a entrada do "corredor", manifestantes para o lado de lá do cordão de isolamento. E ninguém me via. Parecia que eu era invisível. Fiquei ali, absolutamente sozinha, testemunhando tudo aquilo, bem uns 20 minutos, com eles passando pra lá e pra cá, carregando os generais, empurrando a aglomeração, sem perceberem a minha presença. Mistério.

Até que fui denunciada pelas lágrimas. Uma senhora me reconheceu, jogou um beijo. E mais outra. Pessoas sorriram para mim com simpatia. Percebi que eu representava ali as famílias daqueles mortos e estava sendo reverenciada por causa deles. Emocionei-me ainda mais. Então e enfim os PMs me viram. Eu, que estava todo o tempo praticamente colada neles! Um me perguntou se não era melhor eu sair dali, pois era perigoso. Insisti em ficar, mesmo com perigo e tudo. E ele, gentil, quando viu que não conseguiria me demover: "A senhora quer um copo d'água?". Na mesma hora o copo d'água veio. O segurança do Clube ofereceu: "A senhora não prefere ficar na portaria, lá dentro? ". "Ah, não, meu senhor. Lá dentro não. Prefiro a calçada". E nela fiquei, sobre o degrau recuado, ora assistente, ora manifestante fazendo coro, cumprindo meu papel de testemunha, de participante e de Angel. Vendo nossos quixotinhos empunharem, como lanças, apenas a sua voz, contra as pás lancinantes dos moinhos do passado, que cortaram as carnes de uma geração de idealistas.

A manifestação havia sido anunciada. Porém, eu estava nela por acaso. Um feliz e divino acaso. E aonde estavam naquela hora os remanescentes daquela luta de antigamente? Aqueles que sobreviveram àquelas fotos ampliadas em PB? Em seus gabinetes? Em seus aviões? Em suas comissões e congressos e redações? Será esta a lição que nos impõe a História: delegar sempre a realização dos "sonhos impossíveis" ao destemor idealista dos mais jovens?

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Manifestantes protestam contra torturadores impunes



Em pequenos grupos, carregando instrumentos musicais, os jovens saíram do centro de São Paulo. Uma hora depois, na zona sul, eles mostraram no grito o que pretendem. A manifestação é contra o Davi dos Santos Araujo, conhecido como capitão Lisboa. Ele é apontado como um dos principais torturadores durante a ditadura.

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Manifestantes protestam contra ditadura e são atacados pela Gestapo de Cabral



Na tarde desta quinta-feira, manifestantes protestaram do lado de fora do Clube Militar, no centro do Rio, onde acontecia uma comemoração pelo aniversário do golpe de 1964. A polícia militar, como de costume, fez farta distribuição de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e muita truculência. Ex-militares como o tenente-coronel Lício Maciel, que participou de operações no Araguaia, e o general Nilton Cerqueira, responsável pela execução de Carlos Lamarca, foram escorraçados pelos manifestantes.

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Supremo autoriza quebra de sigilo bancário de Demóstenes

FELIPE SELIGMAN, FOLHA 

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski determinou na tarde desta quinta-feira, a pedido da Procuradoria Geral da República, a quebra de sigilo bancário do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

O pedido é referente a um período de aproximadamente dois anos, época em que ele foi flagrado em diversas ligações telefônicas com o empresário Carlos Augusto Soares, o Carlinhos Cachoeira, investigado por suspeita de contravenção. O empresário está preso preventivamente desde o dia 29 de fevereiro, em meio à Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desmontou uma quadrilha que explorava máquinas caça-níqueis.

O senador aparece em conversas telefônicas, interceptadas com autorização judicial, com Cachoeira. Demóstenes admite que recebeu do empresário um telefone especial para conversas entre os dois. A investigação policial gravou cerca de 300 diálogos entre o senador e o empresário de jogos por pelo menos oito meses.

O democrata também ganhou de Cachoeira um fogão e uma geladeira, presentes que segundo Demóstenes foram oferecidos por um "amigo" quando se casou no ano passado.

O ministro do Supremo, que é relator do inquérito sobre o senador, também enviou pedido ao presidente do Senado, José Sarney, para que ele informe a relação de emendas ao Orçamento da União apresentadas por Demóstenes.

As informações sobre o inquérito foram passadas pelo próprio Lewandowski, após uma série de pedidos da imprensa para ter acesso aos autos do inquérito do STF. Ele disse que não poderia prestar informações detalhadas sobre o caso, pois trata-se de uma investigação sob segredo de Justiça baseada em conversas telefônicas protegidas pelo sigilo.

Ao requisitar a lista das emendas apresentadas por Demóstenes, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, indica que uma de suas linhas de investigação será analisar se o senador utilizou prerrogativas de seu cargo para favorecer Cachoeira.

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Milicos que fizeram o que quiseram, ouvem o que não querem

Dezenas de militares da reserva que assistiram ao debate(?) "1964 - A Verdade" ficaram sitiados no prédio do Clube Militar, na Cinelândia, no centro do Rio, na tarde desta quinta-feira, 29. O prédio foi cercado por manifestantes que impediram o trânsito pelas duas entradas do imóvel.

O evento marcou o aniversário do golpe militar de 1964 e reuniu militares contrários à Comissão da Verdade (por serem eles mesmo criminosos, claro. Ou gente honesta tem medo da Verdade?). Ao fim do evento, eles tentaram sair, mas foram impedidos por militantes do PC do B, do PT, do PDT e de outros movimentos organizados que protestavam contra o evento.

"Tortura, assassinato, não esquecemos 64", gritavam os manifestantes. "Milico, covarde, queremos a verdade", diziam outros. Velas foram acesas na frente da entrada lateral do centenário do Clube Militar, na Avenida Rio Branco, representando mortos e desaparecidos durante a ditadura militar. Homens que saíam do prédio foram hostilizados com gritos de "assassino". Tinta vermelha e ovos foram jogados na calçada, sem atingir ninguém.

Homens do Batalhão de Choque (sob ordens do governador Sérgio Cabral. Ou não?) foram ao local e lançaram spray de pimenta e bombas de efeito moral contra o grupo, que revidou com ovos. Um dos manifestantes foi imobilizado por policiais e liberado em seguida após ser atingido supostamente(?) por uma pistola de choque, e outro foi detido e algemado.

Os militares foram orientados a sair em pequenos grupos por uma porta lateral, na rua Santa Luzia, mas tiveram que recuar por conta do forte cheiro de gás de pimenta que tomou o térreo do clube. A Polícia Militar tenta conter os manifestantes e chegou a liberar a saída de algumas pessoas pela porta principal, mas por medida de segurança voltou a impedir a saída.

Um grupo que saiu sob proteção do Batalhão de Choque da Polícia Militar foi alvo de xingamentos. Os manifestantes também chamaram os militares de "assassinos" e "porcos". Mais tarde, a saída dos militares da reserva foi liberada por meio de um corredor criado por PMs entre o prédio até a entrada do metrô, na estação Cinelândia, a poucos metros do Clube Militar.

Estadão - Jornal que conspirou contra a democracia e apoiou a ditadura do primeiro ao último dia.

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Brasil é denunciado na OEA por assassinato de Vladimir Herzog

O Brasil foi denunciado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) por não apurar as circunstâncias da morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências do Exército, em São Paulo, em 1975.

Segundo a denúncia, o "Estado brasileiro não cumpriu seu dever de investigar, processar" e punir os responsáveis pela morte de Herzog.


O caso foi levado ao organismo internacional, que já condenou o Brasil por omissões nos crimes da ditadura militar (1964-85), por entidades de direitos humanos, como Cejil (Centro pela Justiça e o Direito Internacional), FIDDH (Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos), Grupo Tortura Nunca Mais e Instituto Vladimir Herzog.

Apresentado como suicida pelo Exército, a versão começou a ser contestada logo no dia da morte de Vlado, como o então diretor de jornalismo da TV Cultura era chamado.

Segundo testemunhas, após comparecer espontaneamente no DOI-Codi de São Paulo para prestar depoimento, Herzog morreu após ser barbaramente torturado. Depois, os agentes da repressão armaram a cena para tentar simular o suicídio.

Um inquérito militar instaurado ainda em 1975 confirmou que o jornalista se matou. Mas em 1978 a Justiça condenou a União pelo assassinato de Vladimir Herzog.

Nos últimos 20 anos, contudo, duas ações foram propostas para apurar as circunstâncias do assassinato, mas em ambos os casos a Justiça arquivou as investigações com base na Lei da Anistia e no argumento de que o crime prescreveu.

O argumento das organizações de direitos humanos para o caso ser investigado, baseado na própria jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, diz que "são inadmissíveis as disposições de anistia, as disposição de prescrição e o estabelecimento de excludentes de responsabilidade, que pretendam impedir a investigação e punição" de quem cometeu graves violações aos direitos humanos, como torturas e assassinatos.

Após análise da comissão e da manifestação do Estado brasileiro, o caso provavelmente será levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA, instância superior que poderá condenar o Brasil --como o fez em dezembro de 2010 por causa dos mortos e desaparecidos na guerrilha do Araguaia.


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Lula posa ao lado de um tumor



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PELO DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE, PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA


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Para Maria do Rosário, decisão do STJ sobre estupro de vulneráveis “significa constituir um caminho de impunidade”

Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil


A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, manifestou hoje (28) sua indignação com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre estupro de vulneráveis. Ontem (27), a Terceira Seção da Corte decidiu que atos sexuais com menores de 14 anos podem não ser caracterizados como estupro, de acordo com o caso.

O tribunal entendeu que não se pode considerar crime o ato que não viola o bem jurídico tutelado, no caso, a liberdade sexual. No processo analisado pela seção do STJ, o réu é acusado de ter estuprado três menores, todas de 12 anos. Tanto o juiz que analisou o processo como o tribunal local o inocentaram com o argumento de que as crianças “já se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data”.

A decisão do STJ é uma reafirmação do entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão. Em 1996, o ministro Marco Aurélio Mello, relator do habeas corpus de um acusado de estupro de vulnerável, disse, no processo, que presunção violência em estupro de menores de 14 anos é relativa. "Confessada ou demonstrada o consentimento da mulher e levantando da prova dos autos a aparência, física e mental, de tratar-se de pessoa com idade superior a 14 anos, impõe-se a conclusão sobre a ausência de configuração do tipo penal”.

Para Maria do Rosário, os direitos das crianças e dos adolescentes jamais poderiam ser relativizados. “Ao afirmar essa relativização usando o argumento de que as crianças de 12 anos já tinham vida sexual anterior, a sentença demonstra que quem foi julgada foi a vítima, mas não quem está respondendo pela prática de um crime”, disse a ministra à Agência Brasil.

A decisão do STJ diz respeito ao Artigo 224 do Código Penal, revogado em 2009, segundo o qual a violência no crime de estupro de vulnerável é presumida. De acordo com a ministra, o Código Penal foi modificado para deixar mais claro que relações sexuais com menores de 14 anos é crime. “Nas duas versões [do Código Penal], o juiz poderá encontrar presunção de violência quando se trata de criança ou adolescente menor de 14 anos. Essa decisão [do STJ] significa constituir um caminho de impunidade”.

Maria do Rosário disse ainda que vai entrar em contato com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e com o advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, para tratar do caso e buscar “medidas jurídicas cabíveis”. “Estamos revoltados, mas conscientes. Vou analisar a situação com o doutor Gurgel e com o Advogado-Geral da União para ter um posicionamento”.


Edição: Aécio Amado
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Panes seguidas da CPTM causam revolta

Rivaldo Gomes/Folhapress
A pane que interrompeu a circulação da linha 7-rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) revoltou usuários dos trens na manhã desta quinta-feira.

A Polícia Militar foi acionada para conter tumultos nas estações Francisco Morato e Caieiras. Foram usados bombas de efeito moral e balas de borracha, e as portas das estações tiveram que ser fechadas.

Os usuários quebraram catracas, portas de aço e câmeras de segurança. Em Francisco Morato, foi ateado fogo na estação. Segundo a PM, cerca de 2.000 pessoas estavam nas estações e os policiais continuavam nos locais por volta das 12h10 para evitar novos tumultos.

A circulação de trens entre as estações Luz e Baltazar Fidelis da linha 7 foi restabelecida por volta das 9h, após um problema no sistema de energia prejudicar toda a linha por duas horas.

Segundo a companhia, a circulação ainda não voltou entre as estações Baltazar Fidelis e Francisco Morato. Por isso, foi acionado o Paese (Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência), com ônibus transportando os passageiros entre as estações Caieiras e Francisco Morato. Técnicos estão trabalhando para solucionar o problema, mas a previsão é que a linha seja normalizada somente depois das 15h.

De acordo com a assessoria da CPTM, por volta das 7h ocorreu um defeito no sistema de alimentação elétrica dos trens na região da estação da Luz. A circulação entre as estações Pirituba e Luz foi paralisada, e os passageiros que estavam nos trens tiveram que descer na via e seguir a pé até as estações, que ficaram superlotadas.


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Serra candidato



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PSDB pressiona por demissão de jornalistas

Resenha de ‘A privataria tucana’ causa demissão de jornalista na revista da Biblioteca Nacional
Gabriel Bonis

A demissão de dois profissionais da revista de História da Biblioteca Nacional semanas após a publicação de uma resenha favorável ao livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr – fato que despertou a ira de parlamentares do PSDB, alvo de denúncias na obra – colocou o veículo no centro de uma polêmica sobre uma suposta intervenção do partido no caso. A demissão foi apontada na imprensa na coluna do jornalista Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo, da quarta-feira 28.

Publicado em 24 de janeiro, o texto do jornalista Celso de Castro Barbosa foi alvo críticas de tucanos, que liderados pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), ameaçaram processar a publicação, editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin) e que da Biblioteca Nacional recebe apenas material de pesquisa e iconografia.

Como resultado, a revista retirou a resenha do ar. “Fui censurado e injuriado”, diz o jornalista em entrevista a CartaCapital.

Barbosa destaca que a remoção do texto ocorreu apenas “após o chilique do PSDB” em 1º de fevereiro, nove dias depois da publicação em destaque na primeira página do site da revista. O motivo seria uma nota divulgada em um jornal carioca, segundo a qual a cúpula do partido estava “possessa” com a revista, tida pela legenda como do governo.

A evidente pressão externa fez com que o jornalista recebesse um chamado do editor-chefe da publicação, Luciano Figueiredo, naquele mesmo dia. “Ele [Figueiredo] disse concordar com quase tudo que havia escrito, mas o Gustavo Franco [ex-presidente do Banco Central no governo FHC] leu, não gostou e resolveu mobilizar a cúpula tucana.”

Para conter o movimento, relata, o editor-chefe se comprometeu a escrever uma nota assumindo a culpa pela publicação do texto. “Eu disse: ‘Culpa de que? Ninguém tem culpa de nada. É uma resenha de um livro.’”

No dia seguinte o diário O Globo destacou a história e um pronunciamento da Sabin a dizer que os textos da revista são analisados pelos editores, mas aquela resenha não havia sido editada. “Subentende-se que publiquei por minha conta”, ironiza Barbosa.

Por outro lado, em matéria publicada na terça-feira 27 no site do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, dois editores da revista, Vivi Fernandes de Lima e Felipe Sáles, desmentem a Sabin e confirmam ter editado a resenha antes da publicação no site.

Críticas a Serra

O texto de Barbosa destaca a vivacidade do jornalismo investigativo no livro e sugere que José Serra esteja “morto”. O ex-governador de São Paulo também é citado como a figura com a “imagem mais chamuscada” pelas denúncias, além de questionar a origem de seu patrimônio. (Leia o texto aqui)

Inconformado com a resenha, Guerra chegou a enviar cartas de protesto à ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e a Figueiredo. Outros tucanos alegaram que a publicação era pública, trazia os nomes da presidenta Dilma Rousseff, e de Hollanda no expediente e recebia verba da Petrobrás. Logo, deveria se manter isentada de questões políticas.

Mas Barbosa destaca que a dona da revista é a Sabin. “Uma entidade privada, composta inclusive por bancos.”

O patrocínio, defende, não seria impedimento para a manifestação de opiniões no veículo. “Não está escrito na Constituição que em revista patrocinada pela Petrobras a manifestação contra eventuais adversários do governo é proibida.”

A revista, por outro lado, preferiu divulgar nota pedindo desculpas aos ofendidos pelo texto, além de alegar não defender “posições político- partidárias”.

Em meio ao ocorrido, Barbosa afirma ter sido ameaçado com um processo por Guerra e, após a pressão dos tucanos, seus editores avaliaram que seria menor que trabalhasse em casa.

Devido à situação, o jornalista revela ter questionado o posicionamento de Figueiredo em um email aberto à redação, no qual perguntava sobre a nota que o editor-chefe escreveria em seu apoio. “Ele escreveu uma nota mentirosa e deu para o presidente da Sabin assinar. Depois, em 29 de fevereiro, me demitiu.”

Sobre a reação tucana, Barbosa acredita que o partido poderia ter agido de outra forma. “Vivemos em um país livre e a Constituição me garante o direito à opinião.”

O jornalista se refere a declarações de parlamentares do PSDB, que o chamaram de “servidor público a favor do aparelhamento do Estado”. “Se há algum erro no tom, é deles [tucanos], não meu. Sequer tinha carteira assinada e cumpria jornada sem direito trabalhista.”

Um dos motivos pelo qual Barbosa processa a revista. “Na ação, também peço indenização por danos morais e uma retratação pela nota mentirosa.”

Procurada, a Sabin informou, via nota assinada pelo presidente da instituição, Jean-Louis Lacerda Soares, que “não interfere no conteúdo editorial da revista”, pois a “atribuição relacionada ao conteúdo é do Conselho Editorial”.

A sociedade nega ter sofrido interferência externa nas demissões e diz que o jornalista Celso de Castro Barbosa foi demitido pelo então editor Luciano Figueiredo, por sua vez, dispensado “exclusivamente por razões administrativas.”

A reportagem de CartaCapital também contatou Luciano Figueiredo por meio da assessoria de imprensa da Universidade Federal Fluminense, instituição na qual leciona, e foi informada de que o historiador não poderia dar entrevistas.

Outra tentativa foi realizada por email, mas não houve resposta do professor até o fechamento desta reportagem.

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Otimismo com o país de Dilma


O ano de 2012 representa, para o governo Dilma, um marco da consolidação indiscutível de uma política de desenvolvimento sustentado, em nítido avanço em comparação com o governo anterior.

E, de saída, há reforço de suas determinantes políticas que evidenciam a consolidação de um presidencialismo de coalizão.

O governo se destaca, de vez, das tentações dos partidos dominantes, avulta sobre o PT e enquadra os sistemas de maiorias disciplinadas, a superar uma etapa do nosso subdesenvolvimento no plano de poder. Ou seja, descartando a política de clientela, na velha acomodação dos ganhadores da hora ao botim dos dinheiros públicos.

Deflagrou-se a faxina contra a corrupção, na amplitude da autonomia institucional outorgada ao Ministério Público e à Polícia Federal. O que avançou, de vez, por aí mesmo, foi a nossa democracia profunda. Há um primeiro controle entre os poderes pelo Conselho Nacional de Justiça e há crescente autonomia do Banco Central na regulação da despesa e, sobretudo, na destinação da poupança pública e no seu socorro ao setor privado.

Só se reforça, por outro lado, o empenho redistributivo da renda nacional pelas expectativas de expansão do salário mínimo.

O ano de 2012 é o desse avanço da riqueza ainda incalculável, não só das bacias petrolíferas oceânicas, mas também das jazidas da região de Linhares (ES), que podem chegar de maneira imediata ao mercado.

O vigor de uma nova política externa traduz esse avanço sobre toda a velha política, amarrada sobre uma visão obsoleta de centros e periferias da América Latina, na força com que vamos ao protagonismo dos Brics e deparamos as relações com a China, na mudança de escala do comércio internacional.

E fora, de vez, dos minipalcos da nossa ação externa, a vigorosa defesa, pelo governo Dilma, da entrada da Palestina nas Nações Unidas ecoou outra expressão do nosso multiculturalismo latente.

Somos o país das maiores minorias sírio-libanesas da atualidade, a convocarmos para um novo alinhamento prospectivo, nesta região crítica do mundo do novo século.

E é desnecessário insistir sobre o avanço da nossa política africana, a partir de Angola ou de Moçambique, a, sobretudo, evidenciar o fracasso das políticas europeias, presas a uma inerte política assistencialista, ocupada com a miséria do continente, em vez de emprestar a ele as mecânicas do desenvolvimento e da sua possível sustentabilidade.

O que, sobretudo, evidencia esse nosso perfil internacional é a definitiva obsolescência do bolivarismo chavista, diante das novas cartas petrolíferas e da criatividade do desempenho da Petrobras na Bolívia.

De toda forma, sobretudo, o que parece ganho, de vez, é uma consciência de mudança brasileira.

Derruba os moralismos clássicos das oposições, bem como os apocalipses da dependência externa de um país a que agora dá conta do gigantismo do seu mercado interno e da consciência de seu advento, que permitiu ao "povo de Lula" chegar à nação de Dilma.

CANDIDO MENDES, 83, é membro do Conselho das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, membro da Academia Brasileira de Letras e da Comissão Brasileira de Justiça e Paz

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A verdade sufocada do torturador Ustra



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Ouça a voz de Lula agradecendo apoio após cura


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quarta-feira, 28 de março de 2012

STJ institucionaliza a prostituição infantil

A relatora do caso, ministra Maria Thereza de
Assis Moura
Luis Nassif

A decisão do STJ institucionaliza no país a prostituição infantil. Ao considerar que não havia crime de estupro do adulto que pagou pelos serviços sexuais de uma criança de 14 anos, institui o vale-tudo sexual.

Essa tragédia é de responsabilidade direta da demanda, dos adultos que pagam pelos serviços sexuais das crianças. Há uma dimensão cultural nesses abusos, especialmente em regiões menos desenvolvidas. Trata-se de pedofilia sim, em cima de crianças socialmente indefesas.

A maneira de coibir é punir, assim como se faz com o turismo sexual.O STJ alega que precisa se curvar aos dados da realidade e que se a criança praticava prostituição, foi sexo consentido.

Os dados da realidade indicam que a impunidade dos adultos é o principal combustível para a prostituição das crianças. O STJ sancionou uma doença social.

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Brasil lançará satélite para levar banda larga a todo país, diz ministro

O Brasil prepara o lançamento de um satélite geoestacionário de comunicação para oferecer banda larga a todos os municípios do país, anunciou nesta quarta-feira (28) em Nova Déli o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp.

O país busca na Índia uma cooperação técnica para o satélite, cuja construção e lançamento, sob responsabilidade da Telebras e da Embraer, tem um custo avaliado de R$ 750 milhões (cerca de US$ 412 milhões). Apenas o lançamento custará cerca de R$ 145,5 milhões.

"Vamos fazer um concurso internacional que abre a possibilidade a uma cooperação tecnológica importante", disse o ministro.

O satélite de comunicação dará opção a todos os municípios brasileiros de acessarem a banda larga para os serviços de internet e telefonia móvel 3G.

Brasil, Índia e África do Sul - três integrantes do grupo dos emergentes Brics, ao lado de China e Rússia - também discutirão nos próximos dias o lançamento de outro satélite para a observação do clima no Atlântico Sul, o que permitirá fazer as medições necessárias para "entender as anomalias com o campo magnético terrestre que deixam passar as radiações ultravioletas".

Com a China, o Brasil prevê o lançamento de um satélite este ano e outro em 2014, informou o ministro, que considera "estratégica" a cooperação Sul-Sul. O Brasil mantém uma intensa cooperação desde os anos 80 com a China, com o lançamento conjunto de três satélites.

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Exames mostram que tumor de Lula desapareceu

Novos exames realizados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 66, apontam que o câncer na laringe, diagnosticado em outubro do ano passado, desapareceu. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do hospital Sírio Libanês, em novo boletim médico divulgado no início da tarde desta quarta-feira (28).

Os médicos evitam falar em cura, o que só poderá ser confirmado em cinco anos.

O boletim é assinado pelos coordenadores da equipe que atende o ex-presidente, os médicos Roberto Kalil Filho, Artur Katz, Paulo Hoff, João Luís Fernandes da Silva, Luiz Paulo Kowalski e Rubens de Brito Neto.

Segundo o boletim, “foram realizados exames de ressonância nuclear magnética e laringoscopia, que mostraram a ausência de tumor visível, revelando apenas leve processo inflamatório nas áreas submetidas à radioterapia, como seria esperado”.

O documento diz ainda que o ex-presidente “continua realizando sessões de fonoaudiologia e iniciará programação de avaliações periódicas”.

Lula teve um tumor na laringe detectado em outubro do ano passado e submeteu-se a sessões de quimioterapia e radioterapia no tratamento contra a doença.

O ex-presidente chegou a ficar uma semana internado por conta de uma pneumonia, entre o final de fevereiro e o começo de março. No último dia 11, teve alta e recebeu antibióticos até o dia 16, com resposta ao tratamento considerada boa.

Nas últimas semanas, ele continuou a ir diariamente ao hospital para fazer sessões de fonoaudiologia.


O câncer
O tumor foi diagnosticado no dia 29 de outubro de 2011, dois dias depois do aniversário de 66 anos. O ex-presidente procurou ajuda médica após se queixar de constantes dores de garganta e apresentar rouquidão considerada acima do normal. Na época, o tumor tinha aproximadamente 3 centímetros, considerado de agressividade média.

UOL

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Morre Millôr Fernandes

O escritor e cartunista Millôr Fernandes, de 88 anos, morreu em sua casa, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. De acordo com o filho do escritor, Ivan Fernandes, ele morreu de falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca no fim da noite de terça-feira. O velório será das 10h às 15h no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária. O corpo do escritor será cremado.

Millôr Fernandes era escritor, jornalista, desenhista e dramaturgo. Aos 14 anos, começou a colaborar na revista "O Cruzeiro", além de trabalhar como tradutor, jornalista e autor de teatro. Foi um dos fundadores do jornal "O Pasquim", no final da década de 1960, onde fez oposição ao regime militar.

Escreveu diversos tipos de peças e foi o principal tradutor dos textos de William Shakespeare no Brasil. Atualmente, Millôr mantinha um site com textos de humor e tiras de cartuns, além de um acervo de 50 anos de trabalho.

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Silêncios denunciam imprensa no caso Demóstenes

Quanto Tempo Dura?
Marcelo Semer
Terra Magazine

Demóstenes Torres é promotor de justiça. Foi Procurador Geral da Justiça em Goiás e secretário de segurança do mesmo Estado.

No Senado, é reputado como um homem da lei, que a conhece como poucos. Além de um impiedoso líder da oposição, é vanguarda da moralidade e está constantemente no ataque às corrupções alheias. A mídia sempre lhe deu muito destaque por causa disso.

De repente, o encanto se desfez.

O senador da lei e da ordem foi flagrado em escuta telefônica, com mais de trezentas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, de quem teria recebido uma cozinha importada de presente.

A Polícia Federal ainda apura a participação do senador em negócios com o homem dos caça-níqueis e aponta que Cachoeira teria habilitado vários celulares Nextel fora do país para fugir dos grampos. Um deles parou nas mãos de Demóstenes.

Há quase um mês, essas revelações têm vindo à tona, sendo a última notícia, um pedido do senador para que o empresário pagasse seu táxi-aéreo.

Mesmo assim, com o potencial de escândalo que a ligação podia ensejar, vários órgãos de imprensa evitaram por semanas o assunto, abrandando o tom, sempre que podiam.

Por coincidência, são os mesmos que se acostumaram a dar notícias bombásticas sobre irregularidades no governo ou em partidos da base, como se uma corrupção pudesse ser mais relevante do que outra.

Encontrar o nome de Demóstenes Torres em certos jornais ou revistas foi tarefa árdua até para um experiente praticante de caça-palavras, mesmo quando o assunto já era faz tempo dominante nas redes sociais. Manchetes, nem pensar.

Avançar o sinal e condenar quando ainda existem apenas indícios é o cúmulo da imprudência. Provocar o vazamento parcial de conversas telefônicas submetidas a sigilo beira a ilicitude. Caça às bruxas por relações pessoais pode provocar profundas injustiças.

Tudo isso se explica, mas não justifica o porquê a mesma cautela e igual procedimento não são tomados com a maioria dos "investigados" - para muitos veículos da grande mídia, a regra tem sido atirar primeiro, perguntar depois.

Pior do que o sensacionalismo, no entanto, é o sensacionalismo seletivo, que explora apenas os vícios de quem lhe incomoda. Ele é tão corrupto quanto os corruptos que por meio dele se denunciam.

Todos nós assistimos a corrida da grande imprensa para derrubar ministros no primeiro ano do governo Dilma, manchete após manchete. Alguns com ótimas razões, outros com acusações mais pífias do que as produzidas contra o senador.

Não parece razoável que um órgão de imprensa possa escolher, por questões ideológicas, empresariais ou mesmo partidárias, que escândalo exibir ou qual ocultar em suas páginas. Isso seria apenas publicidade, jamais jornalismo.

Durante muito tempo, os jornais vêm se utilizando da excludente do "interesse público" para avançar sinais na invasão da privacidade ou no ataque a reputações alheias.

A jurisprudência dos tribunais, em regra, tem lhes dado razão: para o jogo democrático, a verdade descortinada ao eleitor é mais importante do que a suscetibilidade de quem se mete na política.

Mas onde fica o "interesse público", quando um órgão de imprensa mascara ou deliberadamente esconde de seus leitores uma denúncia de que tem conhecimento?

O direito do leitor, aquele mesmo que fundamenta as imunidades tributárias, o sigilo da fonte e até certos excessos de linguagem, estaria aí violentamente amputado.

Porque, no fundo, se trata mais de censura do que de liberdade de expressão.

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

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terça-feira, 27 de março de 2012

Proibir ou não, eis a não-questão

José Roberto Torero, Carta Maior

Na primeira versão deste texto, o título era “Proibir ou não, eis a questão”. E obviamente a proibição seria em relação às torcidas organizadas. Mas pensei, escrevi, repensei, reescrevi e cheguei a este novo título, pois acho que a proibição é uma falsa questão.

Não adianta proibir uma torcida de assistir aos jogos. Pois basta que os mesmos sujeitos entrem com camisas brancas e pronto, a proibição está contornada.

A questão é mais complicada, e tem ressalvas, confissões, críticas, soluções, avisos e enfins. Vamos às ressalvas:

Ressalvas:
Nunca fui de nenhuma torcida organizada, mas imagino que deve ser muito divertido você se juntar a outros torcedores e ver jogos do seu time. Dá a alegre sensação de pertencer a um grupo. Você canta, pula torce, tem eco nas alegrias e consolo nas derrotas.

E as organizadas não são organizações criminosas (o que não quer dizer que não haja criminosos por lá). Certa vez dei uma palestra na Gaviões (nenhuma outra torcida me convidou) e conheci vários dirigentes inteligentes e bem intencionados.

Também não se pode esquecer que a violência, principalmente na adolescência, é algo comum, de forma nenhuma exclusiva de torcedores de futebol. Basta ver as brigas nas escolas hoje em dia. Ou usar a memória e lembrar dos seus tempos de antanho. Eu, pelo menos, dei e levei alguns socos na adolescência.

A última ressalva é que não me parece certo proibir a associação de pessoas. Há um certo ar de ditadura em dizer que as pessoas não podem ficar juntas, seja para fazer política, cantar ou ver futebol.

Confissões:
No início da minha carreira de colunista esportivo fiz um texto chamado “Torcedores, uni-vos”, uma espécie de manifesto torcedorista, que colocava o torcedor organizado como um potencial fator de mudança no futebol.

Eu realmente acreditava nisso. Mas, catorze anos depois, já não tenho a mesma opinião.

Pouquíssimas vezes as organizadas trouxeram avanço ao futebol. Em muitos casos elas foram usadas pelas diretorias dos clubes, vendendo seu apoio por ingressos grátis, dinheiro para churrasco, etc... E muitas vezes seguiram líderes tolos, mais interessados na projeção individual do que no clube.

Também pensei que as torcidas organizadas poderiam transbordar da vida boleira e ganhar uma cara mais política. Imagine, por exemplo, o que uma associação de organizadas não poderia fazer?

Mas esse transbordamento não ocorreu. Só conseguiram fazer isso com eficiência com relação ao carnaval. E tem sido uma experiência lamentável, vide os fatos acontecidos na última apuração.

Aliás, uma das coisas mais tristes do carnaval paulista é ver os integrantes da Gaviões em silêncio durante o desfile das outras escolas de samba.

Críticas:
Além da violência contra torcedores de outros clubes, as organizadas também dificultam a vida dos torcedores do seu clube. Por conta do perigo iminente, pais pensam duas vezes antes de levar seus filhos ao campo. Não é apenas pela diminuição do número de lugares que os estádios têm médias de público menores do que antigamente. É também pela fuga do torcedor comum.

Mesmo que não haja briga, a torcida organizada é chata com o torcedor normal. Se você está sentado por perto, eles exigem que você torça como eles, que fique de pé como eles, que cante como eles. Esta ditadura da maioria não é nada agradável. Ela é burra, preconceituosa, fundamentalista.

As organizadas chegam ao cúmulo de oprimir e reprimir outras organizadas de seu próprio clube. Por exemplo, houve a tentativa de alguns torcedores do Santos de fazer uma torcida do tipo argentino, usando o mesmo tipo de faixas, músicas etc... Pois esta pequena torcida apanhou de uma grande torcida (também santista) só porque torcia de um jeito diferente. E, obviamente, os inchas santistas acabaram.

Soluções:
Prender um cara porque brigou me parece pouco inteligente. Ele só vai se tornar um sujeito ainda pior. Mas, por outro lado, há que se cumprir a lei. Hoje há 27 sujeitos proibidos de assistir a jogos no estado de São Paulo. Só que não há nenhum controle sobre eles.

Uma saída é fazer como na Inglaterra, onde os torcedores banidos do estádio têm que ficar na delegacia durante os jogos. E, se o cara não aparecer, aí sim, cadeia nele.

É claro que a polícia vai usar a desculpa das delegacias cheias, etc... Mas há tantos policiais destacados para os jogos que este argumento me parece absurdo. É claro que é interessante usar alguns destes policiais para afastar justamente os tipos mais perigosos.

A punição é necessária. Tanto a torcedores violentos como em presidentes de clubes ou de federações. Mas o Brasil ainda é o país da impunidade, seja de Ricardo Teixeira, seja do sujeito que matou o palmeirense na Inajar de Souza neste domingo.

Boa parte da solução é mesmo policial. Há que se vigiar os sujeitos, as redes sociais, e afastar os torcedores violentos. Mas não há um trabalho sistemático em relação a isso. Não há uma inteligência policial atuante. Não há escutas telefônicas e rastreamento das relações pessoais dos principais terroristas do futebol.

Outra solução, ainda que parcial, é deixar os clássicos com apenas uma torcida. Sempre fui contra isso, pois acho a segregação uma derrota da sociedade, do poder da convivência. Mas me rendo. Às vezes há que aceitar uma derrota para não sofrer outras maiores.

Aviso:
A batalha deste domingo foi uma vingança em relação à morte do corintiano Douglas Karim Silva, em agosto de 2011. Pois a morte de André Lezo também deve gerar vingança. Segundo apurou o jornal Lance!, a briga pode acontecer na via Dutra.

Creio que, em relação aos torcedores, há um sentimento de “Deixem que esses imbecis se matem uns aos outros”.

Mas a graça da sociedade é que ela cuida mesmo dos mais imbecis.

A polícia tem que mostrar eficiência e evitar novas lutas, novas mortes. É hora de estar um passo à frente dos imbecis, o que não deve ser difícil.

Considerações finais:
Num vídeo disponível na internet, André Lezo, o torcedor que morreu neste domingo, fala que a Mancha e o Palmeiras eram sua vida. Isso é triste por várias razões:

Primeiro, pelo infeliz trocadilho, pois André não teve vida, mas morte, por conta de Palmeiras e Mancha.

Em segundo lugar, porque há uma certa desesperança em alguém dizer que o futebol é a coisa mais importante de sua vida. É muita falta de expectativa. É sinal de uma vida sem sentido.

Acredito que este crescimento da importância do futebol tem duas causas. A primeira é a queda do nível da educação nacional, que começou em meados dos anos sessenta, durante a ditadura militar. No longo prazo, essa educação falha fez com que valores fossem substituídos, que a cultura ficasse em segundo plano, que a participação na sociedade fosse evitada, etc...

Por outro lado, algumas forças sociais, como partidos políticos, comunidades eclesiais de base, sociedades amigos de bairro e sindicatos perderam seu poder de atração. Sem a ditadura como inimigo óbvio, elas não conseguiram criar novos desejos, novas causas.

As pessoas querem agir, querem fazer parte. E, sem muita concorrência, o futebol acabou canalizando boa parte desde desejo.

O que é uma pena, porque o futebol não tem importância nenhuma.

José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado.

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UOL chama urubu de "meu louro"

Não estou de forma alguma sugerindo que o UOL julgue e condene o tal Cachoeira, como faz com quem o Frias não gosta, mas convenhamos que ser  dono de cassino e banca de jogo do bicho faz de uma pessoa um contraventor e, sendo verdade o que dizem do distinto, um criminoso. Não tendo sido condenado em definitivo merece o tratamento de "suspeito", "acusado" e similares. "Empresário de jogos" é o J. Hawilla.

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Lula recebe visita de tucano


Lula estava no hospital para fazer uma sessão de fonoaudiologia e, após o encontro, retornou a sua residência em São Bernardo do Campo.
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Demóstenes Cachoeira deixa a liderança do DEMO no senado

Demóstenes deixa a liderança do DEM no Senado
iG, Tales Faria

O senador Demóstenes Torres (DEMO-GO) entregou hoje a liderança do partido no Senado. A renúncia já foi formalizada em nota enviada ao presidente do partido, senador José Agripino Maia (DEMO-RN).

Fora da liderança, Demóstenes terá agora mais tempo para se defender das denúncias de que teria negócios escusos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
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Senador tucano tem pena de quem vive com R$ 19 mil por mês

Cyro Miranda PSDB-GO
Comissão do Senado aprova fim do 14º e 15º salários
GABRIELA GUERREIRO

A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado aprovou nesta terça-feira (27) o projeto que acaba com o pagamento dos 14º e 15º salários a deputados e senadores. O texto ainda precisa passar pelo plenário do Senado e depois, pela Câmara, para que o benefício seja extinto em definitivo.

O projeto foi aprovado por unanimidade entre os presentes na comissão, mas o senador Cyro Miranda (PSDB-GO) protestou contra o que chama de "baixo salário" pago aos congressistas --que ganham mensalmente R$ 26,7 mil.

"Eu não vivo do salário de senador, mas tenho pena daquele que é obrigado a viver com R$ 19 mil líquido com a estrutura que temos aqui. Sou favorável ao projeto, mas que a gente pense diferente quando se propuser remuneração [aos parlamentares]", afirmou.

O senador Ivo Cassol (PP-RO), que na semana passada suspendeu a votação do projeto ao afirmar que o "político no Brasil é muito mal remunerado", não estava presente na votação de hoje --mas encaminhou voto por escrito à comissão declarando-se favorável ao projeto. No voto, o senador pediu que seja suprimida do projeto a expressão 14º e 15º salários por não "caracterizar corretamente a natureza jurídica da parcela em questão".

Os 14º e 15º salários são considerados uma ajuda de custo aos congressistas, uma vez que os valores são pagos todo início e fim de ano. Na época em que o benefício foi criado, na década de 1940, tinha como justificativa servir como ajuda para os parlamentares retornarem aos seus Estados de origem anualmente. O projeto aprovado hoje prevê o pagamento dos salários extras no início e no final do mandato de cada parlamentar, como ajuda para se deslocar em mudança para Brasília.

"O procedimento naquela época se justificava porque os parlamentares se mudavam para o Rio com suas famílias e passavam todo o ano no Rio. Hoje, sabemos que a coisa não acontece dessa forma, voltamos todas as semanas para os Estados. O projeto modifica a ajuda de custo, que passa a vigorar no início e no final do mandato, e não no final de casa sessão legislativa", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), relator do projeto.

Além do salário mensal de R$ 26,7 mil, cada senador recebe mensalmente R$ 15 mil em verba indenizatória para despesas em seus Estados de origem, combustíveis e divulgação do mandato, entre outras finalidades. Também recebem cota de passagens aéreas para deslocamentos aos Estados e as despesas com telefone e Correios pagas pelo Senado.

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